Ney Nunes
Há 75 anos, no dia 31 de
julho de 1943, ocorreram dois eventos da Segunda Guerra Mundial na costa
brasileira que não deveriam ser esquecidos. O primeiro, um combate em alto mar
que é motivo de orgulho para nossa Força Aérea, ele aconteceu por volta das
nove horas da manhã daquele dia, no litoral do Rio de Janeiro, quando o
submarino alemão U-199 foi bombardeado e posto a pique por um avião da FAB. O
segundo se daria doze horas após o primeiro, um ataque traiçoeiro e covarde ao
Bagé, navio mercante brasileiro de carga e passageiros, desferido pelo
submarino alemão U-185 na altura do litoral de Sergipe.
No primeiro evento desse dramático dia 31
de julho, o U-199 que já havia desfechado alguns ataques contra navios
mercantes entre o litoral do Rio de Janeiro e de São Paulo, tendo inclusive
afundado o cargueiro inglês Henzada, se encontrava à espreita dos comboios que
sairiam do porto do Rio. O Capitão-Tenente Hans Werner Kraus, comandante do
U-199, na época um dos mais modernos e possantes submarinos da marinha nazista,
ordenou o ataque contra um desses comboios, o que possibilitou a sua
localização pelas patrulhas aéreas.
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| Primeiro Tenente-Aviador Alberto Martins Torres |
O hidro-avião Catalina,
modelo PBY-5, armado com metralhadoras e cargas de profundidade, pilotado pelo
aspirante-aviador Alberto Martins Torres (1919-2001), chegou na posição
indicada e visualizou o submarino na superfície. Enfrentando as metralhadoras antiaéreas
dos alemães, o Catalina mergulhou para o ataque, conforme relatou o aspirante Torres no seu livro de memórias:
“Quando acentuamos um
pouco o mergulho para o início efetivo do ataque, o U-199 guinou fortemente
para boreste completando uma curva de 90 graus e se alinhou exatamente com o
eixo da nossa trajetória, com a proa voltada para nós. Percebi uma única chama
alaranjada da peça do convés de vante, e, por isso, efetuei alguma ação evasiva
até atingir uns cem metros de altitude, quando o avião foi estabilizado para
permitir o perfeito lançamento das bombas. Com todas as metralhadoras atirando
nos últimos duzentos metros, frente a frente com o objetivo, soltamos a fieira
de cargas de profundidade pouco à proa do submarino”.
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O U-199 disparando conta o Catalina
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A coragem e destreza do
piloto brasileiro e da sua tripulação foram decisivas para o sucesso nesse
combate. O destino do U-199 estava selado, dos 61 homens a bordo do submarino
alemão, 49 perderam a vida, apenas 12 foram resgatados e presos, entre eles, o
comandante.
O segundo evento nesse mesmo dia, não poderia ser descrito
como um combate naval, porque o alvo do ataque não era militar, tratava-se do
Bagé, que navegava de Recife para Salvador junto da costa, com 107 tripulantes
e 27 passageiros, além de uma carga de borracha, castanhas, couro e algodão,
uma embarcação mista (carga e passageiros), como era muito comum nessa época.
Por volta das 21 horas, o navio brasileiro foi atingido por um torpedo
disparado pelo submarino alemão U-185 sob comando do Capitão-Tenente August
Maus. Em poucos minutos o Bagé afundava, resultando na morte de vinte dos seus
tripulantes, entre eles, o comandante Arthur Monteiro, além de oito
passageiros. O Bagé foi o maior navio mercante do Brasil afundado durante a
Segunda Guerra Mundial.

Durante a guerra 34 embarcações brasileiras foram atacadas, destas, apenas uma era militar. No total, 1.081 pessoas perderam a vida nesses ataques, 270 em um deles apenas, o afundamento do navio de passageiros Baependi, no dia 15 de agosto de 1942.
Os acontecimentos de 31 de julho de 1943
nos deixaram ensinamentos importantes sobre a natureza covarde e predadora do
nazifascismo, a ideologia mentora desses ataques contra a nação brasileira.
Ideologia que na atualidade volta à tona entre nós, pelas vozes de elementos
travestidos de “patriotas”, mas que, na verdade, pretendem entregar a soberania
e riquezas do nosso país para as potências imperialistas. Formam uma escória
que não tem vergonha de defender publicamente os métodos covardes da
perseguição, prisão, tortura e morte dos seus opositores. São os mensageiros da
barbárie que volta a ameaçar o povo brasileiro e a humanidade.
Que o exemplo desses brasileiros, ao não se
curvarem diante da besta nazifascista, frutifique entre nós.