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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O capitalismo da exclusão: Amazon, robotização e a eliminação de 600 mil empregos

 Isaac Enríquez Pérez 31/10/2025

Historicamente, as revoluções tecnológicas tendem a perturbar a forma como o processo econômico e a sociedade como um todo estão organizados.



As suspeitas e a resistência social que isso suscita também são uma constante nos 250 anos de história do capitalismo. O ludismo foi defendido por artesãos ingleses no início do século XIX que, em seu descontentamento, priorizaram a destruição de máquinas como a máquina de fiar e os teares, introduzidas naquele país desde a Revolução Industrial. A mecanização trouxe consigo uma ampla modificação das condições de trabalho e seus consequentes flagelos, como a queda dos salários e o desemprego. Mais do que uma oposição direta à tecnologia  em si , o descontentamento dos luditas derivava do uso que os capitalistas faziam desses avanços para empobrecer a classe trabalhadora. Nessa mesma linha, 120 anos depois, no contexto da Grande Depressão, o filme Tempos Modernos  – estrelado por Charles Chaplin – delineou uma crítica à desumanização do trabalhador e à sua redução a um mero apêndice, ambas impostas pela máquina e sua fusão com a linha de montagem e a produção em massa.

Embora as máquinas, e a tecnologia em geral, gerem descontentamento entre os trabalhadores afetados e deslocados, existe um consenso quanto ao aumento da produtividade, à simplificação das tarefas e ao conforto que proporcionam. Contudo, é importante notar que a tecnologia não é neutra; pelo contrário, beneficia principalmente aqueles com rendimentos elevados e — sobretudo — aqueles que detêm o poder e a riqueza. A sua significativa contribuição para os processos de acumulação, concentração e centralização de capital permanece constante.  

Essas reflexões são relevantes porque a Amazon anunciou recentemente (outubro de 2025) sua intenção de priorizar a inteligência artificial e a robótica em seus processos de produção e vendas ( http://bit.ly/4qtHiBo  e  http://bit.ly/43y23BZ ). Depois do Walmart, a Amazon é a segunda maior empregadora dos Estados Unidos, com 1,2 milhão de empregos ativos, número que triplicou desde 2018. Portanto, o anúncio de seu projeto de automação de processos é significativo. Torna-se ainda mais relevante quando a empresa de comércio eletrônico planeja substituir 600 mil trabalhadores por robôs somente nos Estados Unidos até 2033.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Os (P)Aladinos e o Gênio do Fascismo

Sobre a reunião de fascistas em São Petersburgo

18/10/25

E.B. em Rizospastis 

Encontro internacional dos nazifascistas na Rússia.


Há anos que o KKE e o "Rizospastis" vêm revelando com provas a forma como a UE usa os fascistas para os seus objetivos: 

É a UE que batiza os gangues armados de colaboradores das tropas de ocupação nazis nos países do Leste Europeu (por exemplo, os Estados Bálticos, a Ucrânia) como "vítimas do regime comunista", essencialmente para reivindicar e legitimar os colaboradores dos nazis.

É a UE que, com as várias resoluções do Parlamento Europeu, está a "lubrificar" o fascismo e deu "luz verde" ao desmantelamento de monumentos antifascistas em toda a Europa.

É a UE que procura sistematicamente "confundir" a luta do povo soviético e do Exército Vermelho, com o objetivo de desvalorizar a Vitória Antifascista dos Povos, utilizando a equação a-histórica do comunismo com o fascismo-nazismo, com a chamada teoria dos "dois extremos".

Foi a UE que, em conjunto com os EUA e a OTAN, recrutou e treinou grupos fascistas, como o "Setor Direito" e o "Azov", para orquestrar o derrubamento inconstitucional do governo na Ucrânia em 2014, a fim de promover os interesses dos monopólios europeus e americanos na concorrência com os monopólios russos e para definir como, finalmente, dividir as terras férteis da Ucrânia, as riquezas minerais, as indústrias, os portos, a força de trabalho e assim por diante. Foi este desenvolvimento que levou à guerra imperialista que há mais de três anos sangra dois povos, o ucraniano e o russo, que alcançaram grandes feitos juntos durante os anos do socialismo, e que agora ameaça o resto do planeta com a generalização da guerra e o holocausto.

A "emulação" na utilização do fascismo está a correr bem 

Mas aqui está confirmado com provas que o outro lado da guerra imperialista – embora alguns dos seus apologistas "rasguem as suas próprias vestes" para garantir que se está supostamente a travar uma "guerra antifascista" – faz uso provocatório de vários fascistas, que recentemente se reuniram em São Petersburgo, Rússia. 

Em 12 de setembro, organizações nacionalistas, fascistas e nazis, incluindo representantes da Aurora Dourada grega nazi, participaram na Conferência de fundação da União Internacional de Oponentes da Globalização ou da Liga Internacional das Nações Soberanas, que ocorreu na Rússia. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Agildo Barata: o relatório Kruchev e os impactos no PCB*

Agildo Barata

Preso após o levante de 1935, o capitão Agildo Barata, segundo da esquerda para a direita,
 é conduzido por policiais para prestar depoimento.

Meu rompimento com o PCB

No dia 13 de maio de 1957 dirigi aos membros do CC um bilhete redigido nos seguintes termos:

"Camaradas do CC.:

Depois de 22 anos de militância ininterrupta nas fileiras do PCB, resolvi, baseado no art. 1º dos Estatutos, em caráter irrevogável, solicitar minha demissão de membro do partido e de membro efetivo do Comitê Central.

As razões que me levaram a tal decisão não cabem nos limites estreitos de um rápido bilhete e reservo-me o direito de voltar ao assunto quando julgue correto fazê-lo."

Uma semana depois, os jornais do PCB noticiaram que o CC resolvera me expulsar do partido e a partir de então, os órgãos do partido entraram a insultar-me e e caluniar-me da maneira mais torpe e soez. Apenas um exemplo: um dos números da "Voz Operária", tabloide de 16 páginas, e que, nessa época, era o órgão central do partido, dedicava 14 páginas a insultar-me. O núcleo dirigente qual uma professorinha que quisesse exercitar seus pupilos na prática de uma composição deu o assunto para os militantes que sabiam escrever: o tema é caluniar e insultar o "renegado" Agildo Barata; "vale tudo"; e, durante meses seguidos, foi um chorrilho de subliteratura no mais puro e requintado estilo de chavões e de insultos usados pelo sr. Prestes.

Todos buscavam imitar o mestre e - honra lhes seja feita - muitos o conseguiram e alguns o sobrepujaram.

Vou narrar como os fatos que cercaram essa minha decisão se passaram: Uma noite, eu realizava em São Paulo uma de minhas costumeiras reuniões  num "círculo de amigos" na residência de um deles. Todos queriam saber se o famoso relatório Kruchev no XX Congresso do PCUS sobre o culto à personalidade de Stalin e as tremendas revelações que se continham no documento, eram verdadeiras ou não.

domingo, 19 de outubro de 2025

Quem vai pagar por isso? (II)

Ney Nunes

Gaza, vítima da agressão brutal de Israel e seus cúmplices imperialistas.

O custo da  reconstrução em Gaza, segundo estimativa da ONU, chega a US$ 70 bilhões (R$ 380 bilhões). Mais de 80% de toda infraestrutura, prédios públicos, residenciais e comerciais foram arrasados pelos bombardeios israelenses, sem falarmos do dano moral, este incalculável, provocado pelo genocídio!

Os responsáveis por tamanha barbaridade, Israel e seus principais cúmplices: EUA, Alemanha, França e Reino Unido, devem arcar com o custo da reconstrução de Gaza e pagar indenização pela barbaridade cometida contra o povo palestino. 


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Terras raras: novos elementos no quadro extrativo global

Por Ana Chayle

07/10/25



Como se fosse um presente, autoridades nacionais cobriram de gratidão e elogios o governo dos Estados Unidos e o presidente Donald Trump após o anúncio de um resgate financeiro para aliviar a crise cambial da Argentina antes das eleições de meio de mandato. Além da afinidade ideológica do presidente Javier Milei com seu homólogo americano, o resgate prometido terá um preço. Embora não haja informações oficiais, suspeita-se que uma das condições seria o controle dos depósitos de terras raras da Argentina. Esse grupo de minerais é considerado crítico por seu papel na chamada transição energética , nas tecnologias digitais e na indústria militar .  

A suspeita não é descabida. Até o momento, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, falou em um swap de US$ 20 bilhões — uma troca de moedas — para fortalecer as reservas do Banco Central. As negociações prosseguiram com a visita do ministro da Economia, Luis Caputo, à Casa Branca e continuarão com a visita do presidente Milei, que será recebido por Trump no Salão Oval. Todos esses sinais dos EUA ocorrem no contexto de um cabo de guerra entre os Estados Unidos e a China pelo controle de minerais críticos , e em um cenário em que o país asiático tem uma predominância esmagadora na exploração, processamento e comercialização de terras raras. 

Em meio ao turbilhão de informações sobre finanças e a nova dívida — oculta sob o eufemismo de "resgate" — vale a pena perguntar: o que são terras raras? Como são extraídas? Quais são as consequências? E, principalmente, quais são os custos para os territórios e para aqueles que os habitam?

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Quem vai pagar por isso? (I)

Ney Nunes


Gaza reduzida a escombros.


Um cessar fogo foi alcançado em Gaza. A notícia ganhou as manchetes da mídia burguesa, claro que enaltecendo Donald Trump como articulador da pretensa paz. Os telejornais destacam a chegada dos reféns israelenses, enquanto os milhares de palestinos sequestrados e levados para Israel não são reféns, são denominados "prisioneiros"! Mas o que esperar da mídia burguesa que não seja manipulação da notícia e mentiras descaradas?

E o que dizer das entrevistas e artigos dos supostos especialistas em Oriente Médio publicados por essa mídia vendida ao imperialismo? Na sua esmagadora maioria são escritores de aluguel vinculados ideologicamente ao sionismo. Segundo esses "especialistas", aqueles que resistem contra a ocupação do território palestino iniciada em 1948 pelos israelenses são terroristas, enquanto o Estado sionista de Israel, que vem praticando todo tipo de crimes desde a sua fundação, culminando com o atual genocídio de milhares de civis palestinos e a destruição completa das suas moradias, escolas, hospitais e toda infraestrutura, é tratado como vítima e suas ações criminosas como defensivas!

No bojo dessa avalanche de falsidades, vem o relato de que, após o cessar fogo, os palestinos estão retornando para suas casas. Que casas? Que ruas? Que Bairros? Se tudo esta arrasado e reduzido a escombros! Esquecem de perguntar, quem vai pagar por isso? Esquecem por que são cínicos até a medula. Estão cansados de saber quem cometeu genocídio, crimes de guerra e destruiu Gaza. Sabem quem executou e quem apoiou fornecendo misseis e bombas que despedaçaram crianças e mulheres indefesas, reduzindo Gaza a um monte de entulhos. Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido foram os principais municiadores do aparato militar israelense. Sem o apoio deles Israel jamais teria condições de sustentar suas agressões simultâneas em Gaza, Líbano, Irã, Síria e Iêmen.

Entre as bandeiras históricas de apoio a causa palestina, agora se soma mais uma: a reparação de guerra pelos crimes cometidos pelo Estado terrorista de Israel e seus cúmplices imperialistas!


Edição: Página 1917

 



sábado, 11 de outubro de 2025

O 'Plano de cessar-fogo' de Trump em Gaza: uma declaração de extermínio organizado, não de paz

Declaração emitida pelo Partido Comunista Palestino

04\10\2025



Ó massas do nosso povo em luta,

O que está sendo comercializado como "plano de cessar-fogo de Trump" não é uma solução nem uma iniciativa de paz. É um projeto imperial que visa liquidar a causa palestina e legitimar massacres contra nosso povo em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém. Tentativas de apresentar esse plano como um "acordo" nada mais são do que uma declaração de extermínio organizado com o objetivo de subjugar nosso povo e consolidar a ocupação sob disfarce diplomático e econômico.

O povo palestino, que resistiu por décadas às políticas de desenraizamento, limpeza e deslocamento forçado, não aceitará ser excluído de nenhuma decisão que diga respeito ao seu destino, nem permitirá que seu sofrimento seja transformado em acordos entre criminosos de guerra como Trump e Netanyahu e seus apoiadores reacionários.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Carta de Despedida de Che Guevara

Ernesto 'Che' Guevara

1965

Che Guevara, em março de 1960.


 Fidel

Neste momento lembro-me de muitas coisas - de quando o conheci no México, na casa de Maria Antonia, quando me propôs juntar-me a você; de todas as tensões causadas pelos preparativos.

Um dia vieram me perguntar quem devia ser notificado em caso de morte, e a possibilidade real desse fato causou um impacto. Mais tarde, soubemos que era verdade, que numa revolução se vence ou se morre (se ela for autêntica).

Atualmente, tudo tem um tom menos dramático, porque somos mais maduros. Mas o fato se repete. Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à revolução cubana em seu território e me despeço de você, dos camaradas, do seu povo, que agora é meu.

Renuncio formalmente a meus cargos no Partido, a meu posto de ministro, à minha patente de comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me vincula a Cuba, só laços de outra ordem que não se podem quebrar com nomeações.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

VENEZUELA NA MIRA DOS EUA

André Lavinas 

Navios dos EUA na costa venezuelana: agressão imperialista.


Os EUA estão na iminência de realizarem um ataque massivo contra alvos militares e civis na Venezuela. Em agosto de 2025, os EUA  enviaram destróieres e navios anfíbios¹ com milhares de soldados e equipamentos que podem ser usados num desembarque em território venezuelano e desde o início de setembro deste ano vem aumentando o contingente de aeronaves de ataque, como o F35, nas suas bases em Porto Rico².


Este movimento de Trump enviando um contingente militar para as águas internacionais próximas à costa da Venezuela tem como pretexto o combate aos cartéis de traficantes de drogas que estariam atuando sob o guarda-chuva do governo bolivariano. Mas esta justificativa não poderia estar mais longe da realidade.

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