Sarah Babiker
Leila Ghanem: “As pessoas estão se perguntando por quanto tempo vamos permitir que esses criminosos dominem o mundo.”
Notícias e análises sobre temas históricos e da atualidade, abordando história, economia, política e relações internacionais a partir da perspectiva marxista-leninista e das lutas dos trabalhadores contra a exploração capitalista.
Sarah Babiker
Leila Ghanem: “As pessoas estão se perguntando por quanto tempo vamos permitir que esses criminosos dominem o mundo.”
08/01/2026
![]() |
| Partido Comunista da Grécia |
E tudo isso num momento em que até mesmo o presidente "pacificador" dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa claro, de forma aberta e sem disfarces, que os EUA têm interesse em controlar o petróleo da Venezuela.
Esses partidos burgueses gregos, que elevaram a Arábia Saudita ao status de aliado estratégico do país, ousam falar em democracia. De fato, parte das forças armadas gregas está estacionada lá, operando uma bateria de mísseis Patriot a serviço de planos euro-atlânticos. Na Arábia Saudita, o sistema judiciário é baseado na Sharia (lei islâmica), e as punições incluem açoites, amputações e execuções. Mais de 300 pessoas foram executadas em 2024 — o maior número já registrado. As mulheres são tratadas como inferiores e submetidas a severas restrições, enquanto a vida é um inferno para milhares de migrantes, vítimas de opressão e exploração brutal. Qualquer crítica ao regime é recebida com duras punições, e uma censura rigorosa é imposta sobre o que a mídia pode escrever ou transmitir.
É uma completa farsa todas essas pessoas falando em democracia!
O KKE, que desde o primeiro momento condenou a intervenção militar imperialista dos EUA na Venezuela, tem consistentemente se posicionado ao lado da classe trabalhadora e do povo venezuelano, bem como do Partido Comunista da Venezuela, condenando as medidas antioperárias e antidemocráticas tomadas contra eles. Ao mesmo tempo, porém, o KKE jamais julgou qualquer presidente, organização ou partido segundo os critérios utilizados pelos imperialistas. A OTAN, a UE e o poder capitalista em geral — juntamente com seus mecanismos — operam com base em um conjunto de critérios, enquanto o KKE opera com base em outro. Como enfatizado na Declaração Conjunta dos Partidos Comunistas e Operários sobre os acontecimentos naquele país — apresentada pelo Partido Comunista da Venezuela e assinada pelo KKE juntamente com muitos outros Partidos Comunistas:
“O verdadeiro objetivo nunca foi a defesa dos direitos humanos, nem o suposto combate ao narcotráfico, nem a retórica da 'democracia', que servem apenas como pretextos. O verdadeiro objetivo tem sido a imposição direta dos interesses geopolíticos e econômicos do imperialismo estadunidense na Venezuela e na região, no contexto da luta entre as potências capitalistas pelo controle dos recursos energéticos, das matérias-primas estratégicas, das rotas comerciais e dos mercados.”
O que falhou na Venezuela e por que ela foi alvo dos EUA
Como há também quem, à luz dos recentes acontecimentos na Venezuela, volte a levantar o argumento de que “o socialismo fracassou — desta vez na Venezuela”, lembramos a extensa entrevista concedida no final do ano passado por Dimitris Koutsoumbas, Secretário-Geral do Comitê Central do KKE, ao jornalista Panos Haritos. Entre outras coisas, ele foi questionado se “o modelo socialista de Chávez fracassou ou se as propostas alternativas são impotentes diante dos mecanismos de controle da economia global”.
Em sua resposta, o Secretário-Geral do Comitê Central do KKE observou:
“A essência reside no fato de que o capitalismo, como qualquer sistema socioeconômico, possui leis inflexíveis. Mesmo que se renomeie o capitalismo para 'socialismo do século XXI' e se deem algumas migalhas a mais para certos setores da classe trabalhadora, não se pode escapar de sua natureza implacável e exploradora. Chávez, e ainda mais obviamente Maduro depois dele, podem ter proferido palavras grandiosas sobre 'revolução' e 'socialismo', mas desde a época de Marx e Lenin, sabe-se que a revolução exige profundas mudanças sociopolíticas, que jamais ocorreram na Venezuela. Não se faz uma omelete sem quebrar ovos. Além disso, como o país e sua economia operam com base no lucro, como a força de trabalho continua sendo uma mercadoria e como o país está profundamente integrado à economia capitalista global e preso em um ciclo vicioso de competição acirrada entre os atores mais fortes, nada mudará, não importa quantas vezes a palavra 'anti-imperialismo' seja invocada.”
O Secretário-Geral do Comitê Central do KKE também abordou a questão "Por que Trump está ameaçando Caracas?", focando no direcionamento à Venezuela e observando o seguinte:
“Uma análise da recente Estratégia de Segurança Nacional dos EUA nos dá a resposta, que reside na chamada 'restauração' da preeminência americana no Hemisfério Ocidental. Quem abalou essa preeminência? As evidências mostram que a China está fortalecendo rapidamente sua presença comercial, especialmente na América do Sul. Ela agora é o principal parceiro comercial da América do Sul e o segundo maior parceiro comercial da América Central, América do Sul e Caribe, atrás apenas dos EUA. Assim, a Estratégia de Segurança dos EUA também sinaliza uma transição para o continente americano rumo a uma fase ainda mais perigosa de competição pela supremacia no sistema imperialista internacional.”
Fonte:https://inter.kke.gr/en/m-article/The-Farce-Of-the-Restoration-of-Democracy-in-Venezuela/
Edição: Página 1917
Cem Flores
04/01/26
Após anos de ameaças, sanções e tentativas de golpes, intensificadas nos últimos meses com saques, cercos e ataques militares, os EUA bombardearam o território venezuelano e sequestraram o presidente e a primeira-dama do país na madrugada do dia 3 de janeiro. Essa gravíssima agressão ao povo venezuelano foi realizada por meio de uma ampla operação militar por mar, terra e ar e atingiu sobretudo alvos na capital Caracas. Até o momento, estima-se que dezenas de venezuelanos, civis e militares, morreram nos ataques. Maduro apareceu horas depois, preso em solo norte-americano, e deve ser julgado, em escandalosa intervenção em um país soberano.
Ainda há várias questões sem esclarecimento. Entre elas, não se sabe ainda sobre prováveis traições e o nível de colaboração interna para que a operação imperialista ocorresse com sucesso. De toda forma, é possível de imediato apontar os limites do “bolivarianismo” que, em vez de saída revolucionária e socialista para as graves e sucessivas crises econômicas e políticas, apostou em tentativas de estabilização interna sob apoio de parcelas da burguesia interna e de outras potências imperialistas, o que ampliou a desigualdade, e fomentou ilusões e vacilações quanto à ameaça representada pelos governos Trump. Uma coisa é certa: caso os próprios trabalhadores não tomem as rédeas da resistência anti-imperialista, qualquer que seja o desenlace desse ataque será prejudicial a eles!
Lenin
"De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital."
[...] A teoria da mais-valia constitui a pedra angular da teoria econômica de Marx.
O capital, criado pelo trabalho do operário, oprime o operário, arruína o pequeno patrão e cria um exército de desempregados. Na indústria, é imediatamente visível o triunfo da grande produção; mas também na agricultura deparamos com o mesmo fenômeno: aumenta a superioridade da grande exploração agrícola capitalista, cresce o emprego de maquinaria, a propriedade camponesa cai nas garras do capital financeiro, declina e arruína-se sob o peso da técnica atrasada. Na agricultura, o declínio da pequena produção reveste-se de outras formas, mas esse declínio é um fato indiscutível.
Esmagando a pequena produção, o capital faz aumentar a produtividade do trabalho e cria uma situação de monopólio para os consórcios dos grandes capitalistas. A própria produção vai adquirindo cada vez mais um caráter social – centenas de milhares e milhões de operários são reunidos num organismo econômico coordenado – enquanto um punhado de capitalistas se apropria do produto do trabalho comum. Crescem a anarquia da produção, as crises, a corrida louca aos mercados, a escassez de meios de subsistência para as massas da população.
Ao fazer aumentar a dependência dos operários relativamente ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho unido.
Marx traçou o desenvolvimento do capitalismo desde os primeiros germes da economia mercantil, desde a troca simples, até às suas formas superiores, até à grande produção.
E de ano para ano a experiência de todos os países capitalistas, tanto os velhos como os novos, faz ver claramente a um número cada vez maior de operários a justeza desta doutrina de Marx.
O capitalismo venceu no mundo inteiro, mas, esta vitória não é mais do que o prelúdio do triunfo do trabalho sobre o capital.
[...] Os homens sempre foram em política vítimas ingênuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam — e, pela sua situação social, devam — formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.
Só o materialismo filosófico de Marx indicou ao proletariado a saída da escravidão espiritual em que vegetaram até hoje todas as classes oprimidas. Só a teoria econômica de Marx explicou a situação real do proletariado no conjunto do regime capitalista.
Fonte: As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo, Lenin, 1913.
Edição: Página 1917