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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O marxismo é guerra contra a escravidão assalariada*

Lenin

"De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital."

 


[...] A teoria da mais-valia constitui a pedra angular da teoria econômica de Marx.

O capital, criado pelo trabalho do operário, oprime o operário, arruína o pequeno patrão e cria um exército de desempregados. Na indústria, é imediatamente visível o triunfo da grande produção; mas também na agricultura deparamos com o mesmo fenômeno: aumenta a superioridade da grande exploração agrícola capitalista, cresce o emprego de maquinaria, a propriedade camponesa cai nas garras do capital financeiro, declina e arruína-se sob o peso da técnica atrasada. Na agricultura, o declínio da pequena produção reveste-se de outras formas, mas esse declínio é um fato indiscutível.

Esmagando a pequena produção, o capital faz aumentar a produtividade do trabalho e cria uma situação de monopólio para os consórcios dos grandes capitalistas. A própria produção vai adquirindo cada vez mais um caráter social – centenas de milhares e milhões de operários são reunidos num organismo econômico coordenado – enquanto um punhado de capitalistas se apropria do produto do trabalho comum. Crescem a anarquia da produção, as crises, a corrida louca aos mercados, a escassez de meios de subsistência para as massas da população.

Ao fazer aumentar a dependência dos operários relativamente ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho unido.

Marx traçou o desenvolvimento do capitalismo desde os primeiros germes da economia mercantil, desde a troca simples, até às suas formas superiores, até à grande produção.

E de ano para ano a experiência de todos os países capitalistas, tanto os velhos como os novos, faz ver claramente a um número cada vez maior de operários a justeza desta doutrina de Marx.

O capitalismo venceu no mundo inteiro, mas, esta vitória não é mais do que o prelúdio do triunfo do trabalho sobre o capital.

[...] Os homens sempre foram em política vítimas ingênuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam — e, pela sua situação social, devam — formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.

Só o materialismo filosófico de Marx indicou ao proletariado a saída da escravidão espiritual em que vegetaram até hoje todas as classes oprimidas. Só a teoria econômica de Marx explicou a situação real do proletariado no conjunto do regime capitalista.

Fonte: As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo, Lenin, 1913.

Edição: Página 1917

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Não à criminalização da ideologia comunista e da luta pela derrubada da barbárie capitalista

Seção de Relações Internacionais do Comitê Central do KKE

18 de dezembro de 2025


Militantes marxistas presos e condenados na Rússia.


A decisão das autoridades russas de condenar membros de um círculo marxista a penas de prisão que variam de 16 a 22 anos, com base na conclusão absurda e perigosa de uma comissão de especialistas que caracterizou a obra de Lenin, "O Estado e a Revolução", como um "manual terrorista", é completamente inaceitável e atesta o declínio do poder burguês na Rússia em direção ao anticomunismo e à antidemocracia. O uso, pelo sistema judiciário burguês russo, para seus próprios fins, da definição de dicionário do lexema "revolução" e a caracterização da "ideologia do socialismo" – "todo o poder aos Sovietes", "a criação dos Sovietes" – como uma "ideologia extremista" que "atesta à natureza violenta da mudança nos fundamentos do regime vigente" demonstram os esforços implacáveis ​​das autoridades burguesas para denegrir a revolução e o socialismo, bem como para suprimir a menor atividade política que questione a escolha política da burguesia e vise derrubar o bárbaro sistema capitalista.

Essa decisão judicial é mais um elo na cadeia de políticas anticomunistas da burguesia russa.

Merece destaque, em separado, a reunião de organizações fascistas de todo o mundo, que incluiu também representantes do partido nazista grego Aurora Dourada; a criação de uma escola política em uma universidade estatal, batizada em homenagem ao filósofo fascista russo Ivan Ilyin; e os argumentos antissoviéticos e anticomunistas usados ​​por Vladimir Putin para lançar a inaceitável invasão russa da Ucrânia em 2022, que se tornou o início formal de uma guerra imperialista que continua até hoje, na qual centenas de milhares de jovens da Ucrânia e da Rússia, em sua maioria de famílias pobres, morrem pelos interesses dos capitalistas.

O KKE condena veementemente este veredicto inaceitável, comparável a julgamentos e proibições anticomunistas semelhantes na Ucrânia, à recente proibição do Partido Comunista Polonês na Polônia e à "semana do anticomunismo" declarada por Trump, e salienta que o anticomunismo não é exclusivamente uma "ferramenta" do bloco imperialista euro-atlântico, podendo ser utilizado pelo poder burguês da Rússia capitalista sempre que julgar necessário, apesar de a liderança russa alegar estar travando uma "guerra antifascista" e, todos os anos, em 9 de maio, tentar especular sobre a vitória da URSS e dos movimentos partidários sobre o nazismo, que é um produto do capitalismo.

Exigimos a libertação imediata dos membros condenados do círculo marxista e o fim da perseguição política anticomunista. Deixem os comunistas em paz!

Edição: Página 1917

Fonte: https://inter.kke.gr/en/m-article/No-to-the-criminalization-of-communist-ideology-and-the-struggles-for-the-social-overthrow-of-capitalist-barbarity/




terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Farsa da “Democracia” nos Conselhos de Administração

Participação dos Trabalhadores como Propaganda Capitalista. A “democracia” nos Conselhos de Administração é, hoje, um instrumento de dominação.

Felipe Coutinho*

12/2025



A participação dos trabalhadores em Conselhos de Administração (CA) de empresas, sejam estatais ou privadas, é frequentemente celebrada como um avanço democrático no mundo corporativo. No entanto, uma análise crítica revela que essa prática não passa de uma cortina de fumaça, uma encenação destinada a mascarar a dominação capitalista enquanto mantém intactas as estruturas de poder.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Marines no Uruguai e o garrote no Caribe: a Doutrina Monroe-Condor de Trump

Luís Vignolo

 América Latina na mira do imperialismo.


A agressão imperial dos Estados Unidos contra a América Latina e o Caribe atingiu seu ápice desde os tempos da Guerra Fria com o segundo mandato de Trump.

Não é uma coincidência imprevista que isso esteja acontecendo. O poder relativo dos Estados Unidos no mundo está diminuindo devido à ascensão da China, ao ressurgimento da Rússia, à criação e expansão do BRICS e à deterioração da capacidade industrial americana, entre outros fatores. Uma redistribuição do poder global entre as grandes potências está em curso.

Nesse cenário, que tem sido chamado de “uma guerra mundial em etapas”, complementado pelo que temos chamado há anos de “uma nova Yalta em etapas”, era altamente previsível que os Estados Unidos buscassem assegurar o controle incondicional do território que continuam a considerar seu “quintal”, nossa América Latina indo-afro-americana. A República Imperial Ianque se consolidou como tal no século XIX, à custa de sua expansão na América Latina e no Caribe, antes de se aventurar no cenário mundial, muito antes de disputar o poder no vasto espaço euro-afro-asiático.

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