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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Barganha imperialista e massacre dos povos

18.08.2025



Assessoria de Imprensa do Comitê Central do KKE emitiu um comunicado sobre o encontro Trump-Putin no Alasca, no qual destaca o seguinte:

O encontro entre Trump e Putin no Alasca fez parte de uma barganha imperialista. Não se baseou nos interesses dos povos ucraniano e russo, que estão pagando o preço da guerra. Em vez disso, baseou-se nos interesses dos monopólios americanos e russos, e visava expandir suas transações comerciais e aumentar seus lucros.

Por trás das belas palavras sobre "progresso nas negociações", esconde-se uma realidade sombria. A guerra imperialista na Ucrânia continua e se intensifica. A competição para dividir a Ucrânia e o resto do mundo prossegue, com os povos sendo massacrados nas linhas de frente por interesses que lhes são hostis.

Mesmo que um acordo seja alcançado em algum momento, ele será temporário e frágil, em linha com as táticas dos EUA, entre outras, de desviar sua atenção para outras áreas do mundo e onerar a UE com a maior parte do custo de manutenção desse acordo. É por isso que contradições e iniciativas concorrentes estão surgindo entre os EUA e a UE no contexto das negociações.

De qualquer forma, as causas do conflito permanecerão porque as soluções imperialistas não eliminam as causas da guerra criadas pelo sistema capitalista podre, especialmente em um momento em que a luta pela supremacia no sistema capitalista global está se intensificando.

Em última análise, são os povos que arcam com o custo das guerras, das barganhas e dos acordos temporários da burguesia, seja por meio de derramamento de sangue ou de sacrifícios econômicos, como é o caso dos povos da Europa, que são forçados a pagar € 800 bilhões pela economia de guerra e pelos preparativos.

Rejeitando as falsas esperanças e ilusões fomentadas pelos apologistas do capitalismo, nosso povo deve fortalecer a luta contra a guerra imperialista, o envolvimento da Grécia nos planos da OTAN e em negociações de qualquer tipo, e a aquisição de caros  equipamentos militares. Deve também se opor à política do governo da Nova Democracia de liderar esses planos criminosos e fortalecer sua própria luta independente para tirar o país da guerra, estabelecendo relações mutuamente benéficas com outros povos, com o povo no comando do poder.

 

Edição: Página 1917

Fonte: https://inter.kke.gr/en/articles/Statement-by-the-Press-Office-of-the-Central-Committee-of-the-KKE-on-the-Trump-Putin-meeting/

sábado, 16 de agosto de 2025

O que torna um país soberano?

Raphael Machado*

04/08/25

O USS George Washington, um dos maiores porta-aviões da Marinha dos EUA, com 90 aeronaves,  participou, ano passado, da operação Southern Seas 2024  visando fortalecer a cooperação militar com Brasil, Argentina e outros países sul-americanos. 

Desde o anúncio das tarifas trumpistas contra o Brasil, nenhuma palavra foi repetida mais do que "soberania". O presidente Lula insiste que Trump "não pode" fazer isso porque o Brasil é "soberano" e, portanto, decide seus assuntos internos (como o caso jurídico de Bolsonaro) sozinho, sem responder a nenhum outro país.

O aparato de propaganda do governo produz materiais gráficos enfatizando a “soberania brasileira” (cujos símbolos, aparentemente, seriam o Banco Itaú, o Bolsa Família e as capivaras), enquanto os apoiadores de Bolsonaro são criticados como “traidores” por buscarem subordinar o Brasil aos EUA, negando, assim, essa “soberania”.

O que fica claro é que o termo "soberania" é tomado como algo dado — uma qualidade inerente que o Brasil possui independentemente das circunstâncias. A soberania é tratada como um atributo imutável do Brasil como nação entre nações.

Bem, há duas maneiras de pensar sobre soberania.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O envolvimento do capital privado no genocídio palestino: o que diz o relatório de Francesca Albanese

Domenico Cortese

O relatório da Relatora Especial da ONU, Francesca Albanese, em um momento em que Israel intensifica ainda mais suas práticas genocidas contra o povo palestino, tornou-se rapidamente uma fonte fundamental para quem busca entender a responsabilidade do capital global pelo extermínio em Gaza. E embora a autora, vítima de sanções americanas sem precedentes contra ela, tenha recebido apoio e solidariedade de círculos de esquerda no parlamento e da própria União Europeia, ela não poupou duras críticas à própria UE. De fato, em uma publicação em suas redes sociais , a Relatora Especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados lançou um duro ataque à União Europeia , acusando-a abertamente de cumplicidade no genocídio israelense em Gaza: "A UE, que já havia se desonrado ao assinar o Acordo de Associação com o apartheid israelense anos atrás, agora se recusa a suspendê-lo. Este é o elemento final que demonstra como a União está conscientemente apoiando o genocídio em curso."

Empresas lucram com o genocídio na Palestina.

Neste artigo, resumimos os pontos-chave do relatório de Francesca Albanese, que revela em detalhes o envolvimento de empresas privadas e do capitalismo em geral no genocídio palestino. O que emerge destas páginas é que, sem o apoio dessas empresas, os crimes sionistas não teriam sido possíveis. Em outras palavras, pode-se dizer que a autoridade italiana provou, de uma perspectiva "institucional" e referindo-se pelo menos à questão da cumplicidade com Israel, o que os Partidos Comunistas aderentes à Ação Comunista Europeia vêm alegando há anos: que a UE é uma aliança imperialista reacionária, hostil ao povo e fundada com o único propósito de promover os lucros de grandes monopólios.

Um negócio para fabricantes de armas

Francesca Albanese desenvolveu um banco de dados com 1.000 entidades corporativas a partir de mais de 200 denúncias recebidas , um número sem precedentes, após seu chamado por contribuições durante a preparação desta investigação. Isso ajudou a mapear como multinacionais ao redor do mundo estão implicadas em violações de direitos humanos e crimes internacionais nos territórios palestinos ocupados.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

A Crise do Comunismo

Nota do Página 1917

Esse texto, escrito por Francisco Martins Rodrigues há quatro décadas, guarda grande valor e atualidade, inclusive com a realidade incumbindo-se de comprovar o acerto da sua análise da crise do comunismo e do desastre do capitalismo em sua fase imperialista. A restauração capitalista na antiga URSS e na China, assim como, o acirramento das disputas interimperialistas, que já provocam diversos conflitos bélicos pelo mundo, nos colocando as portas de uma possível Terceira Guerra Mundial, confirmaram a dinâmica apontada.

Guerras e genocídios se espalham pelo mundo.

Francisco Martins Rodrigues

1984


Não é só em Portugal que os operários estão reduzidos a servir de força de apoio dos reformistas e liberais. A crise das ideias comunistas é internacional. A burguesia conseguiu convencer os operários de que no mundo de hoje já não há lugar para a revolução proletária e para o marxismo-leninismo. Argumentos para isso não lhe faltam:
  • as revoluções guiadas pelas ideias do comunismo, a começar pela revolução russa, mudaram a face do mundo e arrancaram um quarto da Humanidade ao atraso e à miséria feudais, mas hoje, nos países ditos “socialistas”, a classe operária é explorada e não dispõe do poder nem de liberdade. Daqui a conclusão de que a ditadura do proletariado seria uma utopia, a servir de capa para novos regimes tirânicos. O capitalismo sobrevive a guerras, crises e revoluções e cria um arsenal produtivo cada vez mais poderoso. Portanto, poderia haver esperança em que o avanço tecnológico acabe por fazer entrar a Humanidade numa nova era de abundância e liberdade sem necessidade de revolução.
  • a classe operária moderna é já muito diferente do proletariado a que Marx atribuíra a missão de coveiro do capitalismo, ganhou melhores condições de vida e entrelaça-se com a massa crescente dos técnicos e empregados. Isto seria a prova de que está a nascer uma nova classe operária, que poderia conquistar através de reformas os seus direitos essenciais.
  • os camponeses tomam em todo o mundo o caminho das cidades, os povos coloniais ganharam a independência. Teriam portanto desaparecido as duas grandes forças que Lenin considerava como os aliados revolucionários do proletariado.
  • finalmente, o poder das multinacionais, a ameaça nuclear, os novos meios de comunicação, a revolução nos hábitos sociais, ligaram estreitamente todos os continentes num mesmo destino comum. Seria necessário portanto substituir a ideia marxista da revolução mundial e do internacionalismo proletário pelo entendimento e pelo diálogo entre as nações.

Não é difícil mostrar que a propaganda burguesa se apoia em fatos reais para vender conclusões falsas.

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