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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Uma verificação da realidade sobre Trump e o fascismo

Stansfield Smith*

11.07.25

Milícia fascista na Itália de Mussolini, os Camisas Negras.


Com o segundo mandato de Trump, muita gente que exibe credenciais de esquerda proclama novamente que o fascismo está de volta, depois de termos  votado contra  o fascismo (!) em 2020. A cada quatro anos, ouvimos a história repetir-se: "esta eleição é a mais importante da nossa vida". Os republicanos são o novo fascismo, os democratas são o mal menor. Não importa que interesses monopolistas financiem ambos os partidos e ditem as suas políticas. Não importa que o democrata Biden tenha dado sinal verde para o massacre em curso em Gaza. Não importa que  Biden tenha deportado mais  do que Trump. Não importa que todos os anos a polícia tenha matado mais sob Biden  do que sob Trump. Trump é a figura de Hitler, não Biden.  

Então, mais uma vez , é hora de uma verificação da realidade do fascismo efetivamente existente.  

O fascismo realmente existente na Alemanha de Hitler  

O governo de Hitler começou em 30 de janeiro de 1933 mas, mesmo antes disso, o clima político da Alemanha não se assemelhava ao nosso. No verão de 1932, a Alemanha, então com 66 milhões de habitantes, tinha 30% de desemprego, acima dos 8,5% de 1929; a produção industrial tinha caído 42% e 40% dos trabalhadores estava desempregado ou a trabalhar com jornada reduzida.  

Os três partidos concorrentes às eleições de julho de 1932 eram o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães [nazis], os sociais-democratas e os comunistas – cada um conquistando milhões de votos. O Partido Comunista Alemão, o maior da Europa, contava com 360 000 membros e possuía as suas próprias organizações paramilitares. O Partido Social-Democrata  tinha um milhão de membros,  muitos no seu próprio grupo paramilitar. Os nazis somavam 1,5 milhão de membros, com 445 000 paramilitares, os camisas-castanhas.  

Claramente, essa realidade não tem relação com os EUA de hoje: não temos desemprego em massa, muito menos partidos fascistas, comunistas e social-democratas como principais candidatos ao poder. Na Alemanha, socialismo ou fascismo – ou três versões de "socialismo" – apresentaram-se como alternativas nas eleições. Aqui, podemos escolher um partido tradicional dos monopólios comandado pelo 1% e escolher outro "do outro lado do corredor".

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Ofensiva imperialista e burguesia subalterna

Ney Nunes


Ofensiva imperialista e burguesia subalterna

A mais recente ameaça, enviada através de uma carta do Presidente dos EUA, Donald Trump, ao governo Lula, comunicando a imposição da tarifa de 50% aos produtos brasileiros, agitou os meios políticos, empresariais e midiáticos em todo o país. Ela se insere no contexto da persistente crise da economia capitalista que se arrasta desde 2008 com o estouro da bolha imobiliária norte-americana e das suas consequências, entre as quais, a mais determinante é a crescente e acirrada disputa interimperialista entre as principais potências mundiais.

A imposição de sanções econômicas e o protecionismo desenfreado fazem parte do arsenal da disputa pela hegemonia no sistema imperialista. A União Europeia e os EUA vêm fazendo uso desse arsenal com cada vez mais intensidade, configurando a antessala do conflito bélico mundial que se desenha no horizonte geopolítico. Não por acaso, os gastos militares das grandes potências apresentaram vertiginosa subida nos últimos anos e os planos são de continuarem aumentando, num claro preparativo para a próxima etapa da disputa interimperialista.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

A posição do KKE em relação aos governos burgueses

Uma ferramenta valiosa para as nossas lutas atuais

Aleka Papariga, membro do Comitê Central do KKE (Secretária-Geral do Comitê Central do KKE de 1991 a 2013)


Aleka Papariga


Em todos os sistemas sociais que se sucederam — o comunal primitivo, o escravista, o feudal, o capitalista e o socialista que vivenciamos no século XX — o fator decisivo foi e continua sendo o processo produtivo, as relações entre as pessoas nele presentes, a divisão do trabalho e a propriedade dos meios de produção. Os sistemas de poder estatal e político são fundamentalmente determinados pela economia. Portanto, sob o capitalismo, a participação do Partido Comunista nos governos é incompatível com sua postura de que a luta do povo e da juventude, baseada na experiência adquirida, deve ser direcionada para a derrubada do poder político da burguesia, a destruição de seu Estado e a abolição da propriedade capitalista em favor do poder dos trabalhadores e da exploração do homem pelo homem.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

O cinismo do governo burguês de Lula-Alckmin e seus aliados

Coletivo Cem Flores

Boletim Que Fazer – Julho de 2025

Lula e seus parceiros do Congresso: Hugo Motta e Davi Alcolumbre

O atual conflito entre governo e congresso

Em 25 de junho, o congresso derrubou, por ampla maioria de 383 deputados (75%), o aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decretado pelo governo. Esse fato desfez semanas de acordões e conchavos entre os dois poderes, que buscam mais medidas para cumprir a meta fiscal deste ano, e revelou a fragilidade da base de apoio do governo.

Desde então, os atritos entre governo e congresso se intensificaram. De um lado, o governo recorre ao STF, na tentativa de reverter o veto do congresso e, juntamente com seus aliados de “esquerda”, lança-se em uma cínica campanha de crítica ao parlamento por defender o interesse dos mais ricos. De outro, os presidentes do legislativo e outros líderes parlamentares reagem publicamente e ameaçam mais retaliações caso o governo siga nessa linha.

Essa disputa já antecipa a briga eleitoreira que veremos no ano que vem, com cada partido e facção burguesa buscando manter ou ampliar sua influência na máquina estatal capitalista. O governo e o PT usam o episódio para tentar diminuir a queda de popularidade e tentar mobilizar sua base militante e eleitoral. Já o congresso, liderado pelos partidos de direita, busca reforçar seu poder, visando mais grana de emendas parlamentares e resultados eleitorais positivos como nas eleições municipais de 2024.

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