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quarta-feira, 9 de julho de 2025

A posição do KKE em relação aos governos burgueses

Uma ferramenta valiosa para as nossas lutas atuais

Aleka Papariga, membro do Comitê Central do KKE (Secretária-Geral do Comitê Central do KKE de 1991 a 2013)


Aleka Papariga


Em todos os sistemas sociais que se sucederam — o comunal primitivo, o escravista, o feudal, o capitalista e o socialista que vivenciamos no século XX — o fator decisivo foi e continua sendo o processo produtivo, as relações entre as pessoas nele presentes, a divisão do trabalho e a propriedade dos meios de produção. Os sistemas de poder estatal e político são fundamentalmente determinados pela economia. Portanto, sob o capitalismo, a participação do Partido Comunista nos governos é incompatível com sua postura de que a luta do povo e da juventude, baseada na experiência adquirida, deve ser direcionada para a derrubada do poder político da burguesia, a destruição de seu Estado e a abolição da propriedade capitalista em favor do poder dos trabalhadores e da exploração do homem pelo homem.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

O cinismo do governo burguês de Lula-Alckmin e seus aliados

Coletivo Cem Flores

Boletim Que Fazer – Julho de 2025

Lula e seus parceiros do Congresso: Hugo Motta e Davi Alcolumbre

O atual conflito entre governo e congresso

Em 25 de junho, o congresso derrubou, por ampla maioria de 383 deputados (75%), o aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decretado pelo governo. Esse fato desfez semanas de acordões e conchavos entre os dois poderes, que buscam mais medidas para cumprir a meta fiscal deste ano, e revelou a fragilidade da base de apoio do governo.

Desde então, os atritos entre governo e congresso se intensificaram. De um lado, o governo recorre ao STF, na tentativa de reverter o veto do congresso e, juntamente com seus aliados de “esquerda”, lança-se em uma cínica campanha de crítica ao parlamento por defender o interesse dos mais ricos. De outro, os presidentes do legislativo e outros líderes parlamentares reagem publicamente e ameaçam mais retaliações caso o governo siga nessa linha.

Essa disputa já antecipa a briga eleitoreira que veremos no ano que vem, com cada partido e facção burguesa buscando manter ou ampliar sua influência na máquina estatal capitalista. O governo e o PT usam o episódio para tentar diminuir a queda de popularidade e tentar mobilizar sua base militante e eleitoral. Já o congresso, liderado pelos partidos de direita, busca reforçar seu poder, visando mais grana de emendas parlamentares e resultados eleitorais positivos como nas eleições municipais de 2024.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Sem o Apoio da Classe não Somos Nada

Francisco Martins Rodrigues

1982



A polêmica interminável em torno da necessidade de resposta flexível às conjunturas, que tem servido de bandeira sucessivamente a todos os camaradas arrastados para posições de direita, esconde uma posição de classe que é preciso pôr a claro. Transcrevo duas passagens da carta que enviei ao CC em Abril:

Alternativas - Para Quem?

Para a massa proletária e semiproletária intervir na política por sua conta, ou para abrir espaço entre as massas pequeno-burguesas? "Inserir-se vivamente na conjuntura" é adoptar procedimentos que impulsionem a intervenção política independente das massas operárias e semiproletárias, ou é procurar crédito junto da intelectualidade, do funcionalismo e quadros, dos partidos e forças da pequena burguesia? "Fazer política de grande partido" é forjar um grande partido operário revolucionário que arraste atrás de si as camadas médias ou é ceder no vigor revolucionário da luta, na esperança de ganhar maior amplitude?

O que está em discussão no Partido, de há vários anos para cá, não é a aceitação ou a recusa das flexões táticas mas o ângulo de classe em que as encaramos. E isto nem a direita nem o centro no CC o podem admitir, porque seria confessar que se desviam do alinhamento proletário revolucionário. A verdade, já vinte vezes verificada, é que os direitistas no Partido rejeitam soberanamente as flexões, alternativas e manobras táticas que não lhes parecem capazes de suscitar o interesse e a confiança da pequena burguesia, acusam-nas de conter "verdades gerais", "rigidez", "agitativismo" — porque tudo aquilo que é dirigido às necessidades revolucionárias do proletariado e das massas pobres lhes parece "demagógico", "irrealista", "sem poder mobilizador", etc. Os direitistas sentem sempre dolorosamente a falta de uma alternativa “ajustada e imediata” para qualquer conflito secundário entre partidos burgueses, mas não querem saber da falta de dezenas de alternativas ajustadas às interrogações que se colocam diariamente às massas proletárias. Esta é a verdade singela que se esconde por detrás da vozearia sobre os “desdobramentos conjunturais”.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

A Burguesia e a Paz

Decorridos 112 anos desde a publicação desse artigo certeiro de Lenin, a hipocrisia das burguesias imperialistas com relação a guerra, aos massacres, ao genocídio, continua a mesma. A conclusão do artigo guarda enorme atualidade.   


Lenin

Maio/1913



A conferência dos parlamentares franceses e alemães realizada no domingo passado, 11 de Maio (28 de Abril pelo antigo calendário), em Berna recorda-nos uma vez mais a atitude da burguesia europeia em relação à guerra e à paz.

A iniciativa da convocação da conferência pertenceu aos representantes da Alsácia-Lorena e suíços. Os deputados socialistas da França e da Alemanha compareceram em grande número. De entre os deputados burgueses compareceram bastantes radicais e "radicais-socialistas" franceses (democratas pequeno-burgueses, de fato perfeitamente estranhos e em grande parte hostis ao socialismo). Da Alemanha compareceu um número insignificante de deputados burgueses. Os nacionais-liberais (força intermediária entre democratas-constitucionalistas e outubristas, qualquer coisa como os nossos "progressistas") limitaram-se ao envio de uma saudação. Do partido do "centro" (partido católico pequeno-burguês da Alemanha, que gosta de brincar de democracia) dois membros prometeram participar... mas... preferiram não aparecer!

De entre os socialistas conhecidos, discursaram na conferência Greulich, veterano da socialdemocracia suíça, e August Bebel.

Foi aprovada por unanimidade uma resolução condenando o chauvinismo e declarando que ambos os povos, o francês e o alemão, desejam na sua esmagadora maioria a paz e exigem a solução dos conflitos internacionais através de tribunais de arbitragem.

Não há dúvida de que a conferência foi uma imponente manifestação a favor da paz. Mas seria um enorme erro confiar nos belos discursos do pequeno número de deputados burgueses que estiveram presentes na conferência e votaram a favor da resolução. Se desejassem seriamente a paz, esses deputados burgueses deveriam condenar abertamente o aumento dos armamentos na Alemanha (o exército da Alemanha está a ser aumentado em 140 000 homens; esta nova proposta do governo será sem dúvida aprovada pelos partidos burgueses da Alemanha a despeito do decidido protesto dos socialistas), e condenar igualmente a proposta do governo francês de prolongar o serviço militar para três anos.

Os senhores deputados burgueses não se decidiram a fazê-lo. Eles eram ainda menos capazes de exigir resolutamente a formação de uma milícia, isto é, a substituição do exército permanente pelo armamento geral do povo. Esta medida, que não sai do quadro da sociedade burguesa, é a única capaz de democratizar o exército e de fazer avançar com um mínimo de seriedade, nem que seja um só passo, a questão da paz.

Não. A burguesia europeia agarra-se convulsivamente à camarilha militar e à reação com medo do movimento operário. O insignificante número de democratas pequeno-burgueses é incapaz de querer firmemente a paz, e mais incapaz ainda de a garantir. O poder está nas mãos dos bancos, dos cartéis e do grande capital em geral. A única garantia da paz é o movimento organizado e consciente da classe operária.


Edição: Página 1917

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