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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Elon Musk e a ditadura do capital

Nikos Mottas
27 de janeiro de 2025 

"O fascismo só pode ser combatido como capitalismo, como a forma mais nua, mais desavergonhada, mais opressiva e mais traiçoeira de capitalismo. Aqueles que são contra o fascismo sem serem contra o capitalismo, que lamentam a barbárie que sai da barbárie, são como pessoas que desejam comer sua vitela sem abater o bezerro. Eles estão dispostos a comer o bezerro, mas não gostam de ver sangue."



As palavras acima, escritas por Bertolt Brecht em 1935, servem como um lembrete atemporal do vínculo inextricável entre capitalismo e fascismo. Na década de 1930, o monstro do fascismo e do nazismo, que levou a humanidade a um derramamento de sangue sem precedentes, nasceu das entranhas do próprio sistema capitalista (por exemplo, vários gigantes monopolistas europeus e americanos, incluindo General Motors, IBM, Ford Company, IT & T, Standard Oil, etc., são conhecidos por fornecer apoio financeiro à Alemanha nazi antes e mesmo durante a Segunda Guerra Mundial).

O monstro certamente não emergiu de fora do mundo capitalista nem ameaçou a sua existência. Pelo contrário, o fascismo e o nazismo têm sido expressões da ditadura do Capital, sendo utilizados como ponta de lança contra a ascensão do movimento operário organizado e a "ameaça comunista". Hoje, 80 anos após a Grande Vitória Antifascista dos Povos na Segunda Guerra Mundial, a nossa era é mais uma vez marcada pela ascensão de forças políticas de extrema-direita e fascistas: dos países bálticos aos Estados Unidos e da Alemanha à Ucrânia, o ovo da serpente está a crescer novamente, assumindo várias formas.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Dois anos do governo burguês de Lula-Alckmin

Boletim Que Fazer – Fevereiro de 2025

O governo Lula-Alckmin está consolidando a ofensiva burguesa em curso no país nos últimos anos, além de avançá-la em vários pontos. Não é um governo a ser “disputado”, e sim combatido pelas massas trabalhadoras.





A continuidade dos ataques aos trabalhadores

2024 e o primeiro mês de 2025 só reforçaram o caráter burguês do governo de Lula-Alckmin, seu objetivo de consolidar a ofensiva de classe burguesa, inclusive enrolando os trabalhadores, e também sua incapacidade de combater a força política da extrema-direita, fascista, no país. Por isso a posição comunista, aquela própria e independente do proletariado na luta de classes, deve continuar sendo: nenhuma ilusão com tal governo, lutar com independência contra nossos inimigos de classe.

Para tentar garantir o novo teto de gastos de Lula, no final do ano passado, o governo propôs um pacote de corte de gastos (o tal “ajuste fiscal”) que tira mais de R$ 100 bilhões de trabalhadores e aposentados que ganham o salário mínimo, R$ 18 bi do abono, R$ 17 bi do Bolsa Família, R$ 12 bi do BPC e mais R$ 15 bi por conta da “biometria”, além de cortar mais de R$ 40 bi do Fundeb. Foi aprovado com algumas alterações pelo congresso, e Haddad já informou mais de uma vez que esse foi apenas um dos pacotes de cortes que pretendem fazer para se manter dentro do teto de gastos nos próximos anos. Aumentar os impostos dos ricos para isentar quem recebe até R$ 5 mil foi só para enganar trouxas.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Desejo e realidade

Renildo Souza*




Hoje, a liderança chinesa, Xi Jinping à frente, quer - por convicções, palavras e intenções - afirmar o socialismo. Um tanto diferente dos seus antecessores, eles reiteram estridentemente a centralidade do Partido Comunista na direção política do país. Mantêm ostensivamente a referência doutrinária a Marx, Lenin e Mao, inclusive com cursos de marxismo nas universidades e as publicações sistemáticas de obras clássicas. Proclamam abertamente a China como socialista. Tudo isso é muito significativo no contexto da avassaladora hegemonia burguesa no mundo neste início do século XXI, com tenebrosos sofrimentos das massas. Hoje, por toda parte, bilionários tripudiam sobre as dores do povo. Depois da queda da URSS, os aparelhos ideológicos insistem na propaganda da inevitabilidade do capitalismo, sem competidor, sem rival. O comunismo morreu, não funciona, é inevitável, rufam os tambores da mídia, das universidades, dos partidos políticos e dos governos, em cantilena ensurdecedora em todo o planeta, o tempo todo.

Na China, contudo, a bandeira vermelha do comunismo permanece hasteada, garante o PCCh. Na verdade, há uma contradição entre, de um lado, as convicções, desejos e vontade da retórica dos líderes chineses e, de outro, a realidade, os fatos, a vida concreta de massiva, dominante e crescente estruturação econômica  e social do capitalismo dentro da China. A grande tragédia, por trás dos véus da autoilusão e da propaganda, é que a China se agarrou ao capitalismo, nutrindo-o, no seu momento ontológico de desgraças, crueldades e violências contra a verdade, a liberdade, a paz e o bem-estar individual e social.

Ao que parece, instalou-se algo parecido com um involuntário pacto faustiano em que o avanço econômico alcançado - necessário, indispensável e brilhante - teve como contrapartida a dominação do capital. A China tornou-se refém de um tipo específico de processo de modernização econômica que é atrelado e dependente da acumulação capitalista.

Houve um processo de instalação ou ponto de partida da formação capitalista contemporânea na China, o que corresponderia ao pecado original na teologia, diria Marx (2013). Subjugação dos trabalhadores, despojados da vitaliciedade dos empregos e da garantia de serviços sociais, privatizações de empresas, descoletivização da terra e privatização do seu uso e fartos recursos e instrumentos do Estado cumpriram esse papel da assim chamada acumulação primitiva. Um belo resultado foi alcançado: constituíram-se as novas classes sociais de burgueses e proletários na China. Mas como se mantém e se reproduz o que foi inaugurado? Em uma palavra, com mais-valor para acumular mais-valor, sem fim. Mas quem impõe a permanência dessa reprodução do capital? Em uma palavra, a naturalização da dependência dos trabalhadores perante o capital. A necessidade de sobrevivência acorrenta a classe trabalhadora à compulsória venda da força de trabalho ao capital chinês.

No evolver da produção capitalista desenvolve-se uma classe de trabalhadores que, por educação, tradição e hábito, reconhece as exigências desse modo de produção como leis naturais e evidentes por si mesmas [...] a coerção muda exercida pelas relações econômicas sela o domínio do capitalista sobre o trabalhador. A violência extraeconômica, direta, continua, é claro, a ser empregada, mas apenas excepcionalmente. (Marx, O Capital: crítica da Economia Política, Livro I, Boitempo, 2013, p.808-809, grifo nosso)

A julgar pelas intenções socialistas dos discursos dos líderes chineses, o país colheu um resultado não intencional. Mas, dado o conteúdo das reformas, deflagradas por esses próprios dirigentes, o desfecho lógico, previsível, esperado era... capitalismo. Plantou-se capitalismo, colheu-se o que tinha de ser colhido. [...]


Fonte: A China de Mao a Xi Jinping, transformação e limites; Renildo de Souza; pag. 190-192; EDUFBA; 2023.

*Renildo Souza, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFBA. 

Edição: Página 1917



 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O espetáculo deprimente do oportunismo

Ney Nunes

03-02-2025






Nas recentes eleições para renovação das mesas diretoras dos legislativos, assistimos, mais uma vez, ao espetáculo deprimente do oportunismo dos partidos com representação parlamentar da chamada "esquerda". Em troca de carguinhos nas mesas diretoras, esses partidos (PT, PSOL, PC do B e etc.) apoiaram chapas burguesas da direita até a extrema-direita.

As desculpas esfarrapadas são lançadas ao vento nas redes sociais, reproduzindo as velhacarias de sempre ou renovando o repertório das velhas falácias, até chegarem ao ponto em que estamos hoje: de se juntarem com a extrema-direita, pasmem, com o "argumento" que estão a combater a extrema direita!

O mais incrível é que ainda existam pessoas de boa fé, que lutam, ou alguma vez durante suas vidas lutaram por transformações sociais favoráveis ao povo trabalhador em nosso país, investindo seu tempo para divulgar ou tecer justificativas para tamanhas traições.

Infelizmente o ritual se repete e os crentes dizem amém.


Edição: Página 1917

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