Índice de Seções

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Reforçar a solidariedade com os povos da Palestina, do Líbano e da Síria.

Gaza: genocídio e destruição.


No dia 19/01/25 realizou-se em Istambul uma reunião da Ação Comunista Europeia sobre: ​​“Eventos no Médio Oriente. Reforçamos a nossa solidariedade com o povo da Palestina, do Líbano e da Síria” acolhido pelo Partido Comunista da Turquia.

Intervenção de Giorgos Marinos, membro do Bureau Político do CC do KKE:

Estamos muito gratos ao Partido Comunista da Turquia por acolher esta reunião da Ação Comunista Europeia, para examinar coletivamente os acontecimentos no Médio Oriente e a solidariedade com o povo da Palestina, do Líbano e da Síria.

A discussão pode contribuir para uma compreensão unificada dos eventos críticos que os povos estão vivenciando sob as condições das guerras imperialistas na Ucrânia e no Oriente Médio e as dezenas de focos de guerra desencadeados pela competição imperialista, nos quais o conflito entre os EUA e a China pela supremacia no sistema capitalista, bem como entre a aliança euro-atlântica (EUA – OTAN–UE–Israel) e a aliança eurasiana em formação, liderada pela China e Rússia com a participação do Irã, tem uma influência decisiva. 

Primeiro, condenamos a ocupação dos territórios palestinos pelo estado assassino de Israel e o genocídio do povo palestino com o apoio dos EUA, da OTAN e da UE. Rejeitamos os pretextos do "direito de autodefesa" do ocupante e as calúnias que caracterizam a luta palestina como terrorismo, tendo sublinhado nossas diferenças ideológicas intransponíveis com as organizações político-islâmicas burguesas. Apoiamos o direito do povo palestino de reivindicar, por meio de todas as formas de luta, sua própria pátria, um estado palestino independente nas fronteiras que existiam antes de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, ao lado de Israel.

O frágil cessar-fogo na Faixa de Gaza não apaga os crimes do Estado israelense. A resistência do povo palestino e a solidariedade dos povos ao redor do mundo, que caracterizaram a luta contra a agressão do ocupante ao longo deste período, continuam pela liberdade da Palestina. 

Em segundo lugar, o estado sírio foi derrubado pelos jihadistas com o apoio dos EUA, Turquia e Israel. A Síria, que ocupa uma posição geográfica estratégica e possui reservas significativas de energia, foi alvo dos EUA e seus aliados, especialmente quando o regime sírio se opôs à rota energética Catar–Arábia Saudita–Jordânia–Síria–Europa e optou pelo gasoduto de energia começado pelo Irã. A chamada Primavera Árabe explorou os impasses do capitalismo e foi usada como um veículo para promover o plano imperialista para um "Novo Oriente Médio". Os EUA, Turquia, Grã-Bretanha, Catar e Arábia Saudita financiaram, treinaram e armaram forças jihadistas para derrubar Assad já em 2011.

O regime Baath foi então salvo com o apoio da Rússia, Irã e Hezbollah para seus próprios interesses, mas hoje essas potências pararam de apoiar o regime — o Irã devido aos problemas no conflito com Israel, o Hezbollah devido à guerra no Líbano e a Rússia devido às demandas da guerra na Ucrânia e acontecimentos relacionados.

Os jihadistas baseados em Idlib foram apoiados pela Turquia de muitas maneiras; eles estavam preparados e agiram no momento certo. Seu rápido avanço destacou a desintegração do aparato estatal sírio, do exército sírio e da política do regime baathista, que eram contrários aos interesses do povo sírio.

Condenamos veementemente a intervenção imperialista e enfatizamos que os acontecimentos na Síria agravam a situação do povo e as condições da luta de classes e alimentam a competição imperialista e uma nova onda de refugiados. Estamos enfrentando um desmembramento do país e uma mudança de fronteiras.

Israel continua a ocupar as Colinas de Golã e está se expandindo para o território sírio. Ele apoia a autonomia das regiões drusas no sul da Síria e dos curdos na Síria, e busca melhorar sua posição na região. Os EUA estão apoiando as forças curdas, fortalecendo sua presença militar no nordeste da Síria e controlando importantes recursos energéticos. A Rússia está negociando suas bases militares em Tartus e Latakia, está interessada na zona costeira da Síria e sua presença no Mediterrâneo, e está considerando ajustar sua estratégia. O Estado turco mantém tropas na Síria e ameaça escalar o conflito com os curdos. Ele busca melhorar sua posição no Oriente Médio e está fazendo reivindicações no Mediterrâneo Oriental e no Egeu, com consequências negativas para as relações entre a Grécia e a Turquia, que são moldadas sob a responsabilidade das classes burguesas e da intervenção dos EUA-OTAN para fortalecer a ala sudeste da OTAN e a exploração conjunta do Egeu. Ao mesmo tempo, uma solução dicotômica está sendo promovida em Chipre. O KKE destaca esses pontos negativos para os povos e condena, entre outras coisas, o plano de integrar Chipre à OTAN.

Caros camaradas,

A redivisão da Síria para o interesse das classes burguesas dá um ímpeto muito perigoso a situação, adicionando novos elementos ao círculo vicioso de intervenções e guerras imperialistas. Os EUA e Israel voltaram suas atenções para o Irã, enquanto seu ataque ao Iêmen está se intensificando.

Avaliamos os acontecimentos do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores e do povo. Levamos em conta os sérios problemas de estratégia enfrentados pelo movimento comunista na região e sua fraqueza diante das necessidades da luta de classes. Expressamos nossa solidariedade com os povos e os comunistas e consideramos necessário intensificar o debate sobre questões cruciais:

· Sobre a luta independente da classe trabalhadora e dos povos contra as classes burguesas e suas alianças imperialistas;

· Sobre a criação de um elo entre a luta contra qualquer tipo de intervenção, invasão e mudança de fronteiras e o afastamento da ocupação estrangeira, na direção da concentração das forças dos trabalhadores e do povo, pela derrubada da exploração capitalista e a luta pelo socialismo, pois esta é a única solução que eliminará as causas da exploração, da pobreza e das guerras.

Precisamos intensificar a luta contra as forças burguesas, liberais e social-democratas, bem como contra o oportunismo nas questões acima mencionadas e os nossos partidos devem assumir responsabilidades adicionais.”

Edição: Página 1917

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

A conjuntura internacional no começo de 2025

 Boletim Que Fazer – Janeiro de 2025


Trabalhadores da Amazon nos EUA em greve, dezembro 2024.


Economia mundial pós-pandemia

Após uma aguda recessão em 2020, fruto da pandemia de Covid-19, a economia global viveu anos de recuperação econômica. Muitos países recuperaram as perdas de produção daquela recessão; a taxa de desemprego voltou ao nível anterior à pandemia.

No entanto, novas contradições capitalistas foram postas em movimento. Houve, por exemplo, uma espiral inflacionária a nível global, seguida de um aumento das taxas de juros. Esse quadro piorou ainda mais o alto endividamento, sobretudo nos países dominados, e tem pressionado para baixo as taxas e perspectivas de crescimento. O mercado de trabalho ficou ainda mais precarizado, sem recuperação do poder de compra dos salários, atingidos pela carestia.

Em 2024, a economia global cresceu cerca de 3%, inclusive com várias potências imperialistas em nova recessão ou estagnadas, como é o caso da Alemanha, maior potência do bloco europeu e já em seu segundo ano seguido de crescimento zero.

Os ganhos da recuperação capitalista pós-pandemia, obviamente, se concentraram nos burgueses, que ampliaram ainda mais suas fortunas. Para as massas trabalhadoras de todos os países, esse período significou aumento da exploração e da carestia de vida.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Declaração sobre o cessar-fogo em Gaza

Assessoria de Imprensa do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia (KKE)

18-01-2025

Em Gaza palestinos retornam para seus bairros reduzidos a escombros.

O acordo de cessar-fogo Israel-Hamas é um acordo frágil de fato, pois nenhum dos fatores que levaram a esse conflito desapareceu: a agressão do estado terrorista de Israel contra o povo palestino, por um lado, e os antagonismos, particularmente na região do Oriente Médio, que estão aumentando, por outro. Além disso, esse acordo de cessar-fogo não apaga nenhum dos crimes cometidos por Israel, que consistem um verdadeiro genocídio do povo palestino.

Aqueles que se apressam em associar o cessar-fogo à mudança na administração dos EUA, criando expectativas de avanços positivos em favor dos povos com uma remodelação "pacífica" do mundo, logo serão desmentidos.

Quaisquer que sejam as conveniências que impuseram uma falsa paz "com uma arma apontada para as cabeças dos palestinos", o acordo de cessar-fogo também foi influenciado pela resistência heroica do povo palestino, a luta contra a guerra dentro de Israel, bem como a solidariedade internacionalista dos povos do mundo inteiro. Essa solidariedade deve agora ser intensificada ainda mais para pôr fim à ocupação israelense e reconhecer o direito do povo palestino de ter sua própria pátria.

O KKE apela ao povo grego para intensificar a luta contra a política do governo ND, que, juntamente com as outras forças políticas do Euro-Atlantismo, reproduz o pretexto do "direito de autodefesa de Israel" e promove a melhoria das relações econômicas, políticas e militares do nosso país com um estado terrorista. A decisão do parlamento grego de reconhecer um estado palestino independente com Jerusalém Oriental como sua capital deve ser aplicada imediatamente.

Fonte: https://inter.kke.gr/en/articles/Statement-on-the-ceasefire-in-Gaza/

Edição: Página 1917







quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Há cinquenta anos a ditadura empresarial-militar prendeu e assassinou Hiran de Lima Pereira e Elson Costa.


Hiran de Lima Pereira

Nascido no Rio Grande do Norte, Hiran de Lima Pereira foi preso pela primeira vez em 1935, no Rio de Janeiro (RJ), após o levante comunista liderado por Luis Carlos Prestes. Em 1946, foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e teve seus mandato e registro cassados em 1948, quando o PCB foi declarado ilegal. Em 1949, mudou-se para Recife (PE), onde foi redator do jornal Folha do Povo, organizado pelo PCB. Entre 1959 e 1964, foi secretário de administração da prefeitura de Recife. Em agosto de 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, Hiran de Lima foi sequestrado por agentes do IV Exército, junto com David Capistrano e outros dirigentes comunistas. Desapareceu por dez dias até ser levado para a Ilha de Fernando de Noronha. Após ter saído da prisão, retornou às funções de secretário do Executivo Municipal de Recife e atuou como ator do grupo profissional Teatro Popular do Nordeste, na peça A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna. Após o golpe militar de abril de 1964, Hiran passou a viver clandestinamente em Recife com sua família. Durante esse período, sua esposa, Célia Pereira, e sua filha, Sacha Lídice Pereira, foram detidas na casa onde moravam e feitas reféns por agentes do IV Exército, junto aos noivos de suas filhas, Ardigan e Nathanias, detidos na mesma ocasião. Em 1966, Hiran mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ) e, posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP). Na passagem do ano de 1974 para 1975, esteve na residência da filha Sacha em São Paulo (SP), no bairro de Campo Belo. Até o ano de 1975, Hiran participou das atividades políticas promovidas pelo PCB como jornalista. Hiran de Lima Pereira manteve contato com sua esposa até o dia 9 de janeiro de 1975, quando marcou encontros para três datas: 13, 15 e 17 de janeiro. Hiran não compareceu ao primeiro encontro. Célia, por sua vez, foi presa em sua residência no dia 15 de janeiro, por agentes do DOI-CODI/SP, onde permaneceu durante três dias sob interrogatório e torturas. Por esse motivo, não pôde comparecer aos outros dois encontros marcados. Célia afirma que viu diversas pessoas encapuzadas sendo torturadas no DOI-CODI, sendo um deles com características físicas semelhantes às de Hiran. Um mês depois foi presa novamente junto com sua filha Sacha, quando foram interrogadas e mantidas encapuzadas. Após as prisões, Célia procurou o II Exército, e lá foi informada de que Hiran estava detido no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP). No DOPS, contudo, disseram-lhe que ele não estava lá. De acordo com o depoimento do sargento Marival Dias Chaves do Canto à Comissão Nacional da Verdade, Hiran de Lima teria sido levado a um centro clandestino de repressão, onde o torturaram e o mataram. Em seguida, os agentes teriam jogado seu corpo no Rio Novo, em um cemitério subaquático sob uma ponte da estrada SP-255, nas imediações de Avaré (SP). Na documentação do arquivo do DOPS/PR, Hiran consta entre os casos reunidos em uma gaveta intitulada “falecidos”. Entre março de 1974 e janeiro de 1976, inúmeros militantes foram mortos pela operação Radar, dentre as vítimas, 11 são desaparecidos políticos, cujos restos mortais não foram entregues às famílias até hoje, como é o caso de Hiran.

Elson Costa


Elson Costa foi militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Jornalista de profissão, iniciou suas atividades políticas em Uberlândia (MG), onde liderou uma greve de caminhoneiros. Integrou o Comitê Central do partido, com a responsabilidade de produção e divulgação do jornal Voz Operária. Em função da militância no PCB, atuou em várias regiões do Brasil, além de ter participado de atividades em países do leste europeu. Elson foi monitorado, enquanto membro do PCB, desde o Estado Novo; com o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados e, dois anos depois, em junho de 1966, foi preso em decorrência da apreensão de cadernetas pertencentes a Luís Carlos Prestes, que revelavam nomes e áreas de atuação do partido na clandestinidade. Após cumprir pena em Curitiba (PR), adotou o nome de Manoel de Sousa Gomes e se transferiu para São Paulo (SP) em companhia da esposa, Aglaé de Souza Costa. Viveu na clandestinidade até ser vitimado pela “Operação Radar”, que resultou em sua prisão e desaparecimento em 15 de janeiro de 1975. Elson Costa foi detido em um bar, em São Paulo, próximo de onde residia, o que permitiu que sua prisão fosse testemunha pela vizinhança. A maior parte das pessoas que viram “Manoel de Sousa Gomes” ser levado pelos agentes da repressão não imaginavam se tratar do militante do PCB de nome Elson Costa. A família de Elson buscou informações do seu paradeiro no II Exército, além das várias correspondências a ministros e até ao presidente do regime ditatorial, Ernesto Geisel, todas sem sucesso. Elson foi uma das vítimas da “Operação Radar”, ofensiva do Exército dedicada ao monitoramento e desestruturação do PCB. Ao menos 11 militantes do PCB foram vítimas dessa investida sistemática e direcionada entre 1974 e 1976. Em documento produzido em março de 1975 pela 2ª Seção do II Exército revela as ações dos órgãos de informação e repressão para “Neutralização do PCB”, como foi intitulada a informação. Com o objetivo de desarticular o partido, foram elaborados estudos e monitoramentos de dirigentes cujas prisões eram fundamentais para a eliminação do PCB. A “Operação Radar” esteve sob a orientação direta do DOI de São Paulo, com a colaboração de outros DOIs e do Centro de Informações do Exército (CIE). Assim, a operação focou em realizar prisões e perseguições em inúmeros estados de dirigentes do PCB, levados a centros clandestinos para interrogatórios, onde desapareceram. A Casa de Itapevi, localizada na estrada da Granja, n° 20, que liga Barueri a Itapevi, na região metropolitana de São Paulo, é apontada como principal centro clandestino utilizado pelo DOI-CODI do II Exército e pelo CIE para tortura e execução dos presos desta operação. O ex-sargento Marival Chaves, em depoimento para a CNV, relatou algumas informações sobre as atividades ocorridas e sobre alguns agentes responsáveis que atuavam na Casa de Itapevi. Além disso, referiu-se aos nomes das vítimas que haviam sido torturadas e executadas no centro Clandestino, entre elas, Elson Costa. Em 2004, uma matéria da IstoÉ divulgou outras revelações feitas pelo ex-sargento Marival Chaves, que acompanhou vários casos ocorridos no DOI-CODI de São Paulo, sobre a “Operação Radar”. Entre elas, destacou-se a referência ao nome do coronel Audir dos Santos Maciel, o “Doutor Silva”, como responsável pelas ações de desaparecimento dos dirigentes do PCB, além de declarar que as vítimas foram executadas em chácaras clandestinas utilizadas para a tortura, assassinato e ocultação de cadáver pelos agentes.


Edição: Página 1917

Caro leitor, ajude a divulgar o Página 1917, compartilhe nossas publicações nas suas redes sociais.

Comentários ofensivos e falsidades não serão publicados.