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sexta-feira, 15 de março de 2024

Velho Oportunismo, Surradas Justificativas

Ney Nunes*

"Hoje, a socialdemocracia nem mesmo pode ser caracterizada enquanto uma força política "reformista" ou "conciliadora". Em primeiro lugar, porque não pretende fazer reformas no capitalismo que possam reduzir  minimamente o grau de exploração dos trabalhadores e,  quando está no governo, se limita a fazer maquiagens visando ocultar os horrores do sistema."

 



    A socialdemocracia em nosso país, representada principalmente por um arco político reunindo: PT, PSOL, PC do B e PSB, nada mais é do que uma linha auxiliar da burguesia que, ao longo do tempo, vem dando inúmeras provas do seu mais completo servilismo aos interesses do capital e colaborando fortemente na estabilidade do regime político burguês. Nesse sentido, ela faz jus ao perfil socialdemocrata inscrito na história internacional, inaugurado com o apoio aos seus respectivos governos na carnificina da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e depois na reação contra a revolução alemã de 1919, quando foram assassinados os dirigentes comunistas Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.

    Hoje, a socialdemocracia nem mesmo pode ser caracterizada enquanto uma força política "reformista" ou "conciliadora". Em primeiro lugar, porque não pretende fazer reformas no capitalismo que possam reduzir  minimamente o grau de exploração dos trabalhadores e,  quando está no governo, se limita a fazer maquiagens visando ocultar os horrores do sistema. Em segundo lugar, ela não pratica conciliação entre as classes sociais, apenas gerencia o projeto da classe dominante e distribui migalhas a segmentos miseráveis da população visando a cooptação eleitoral e a contenção de possíveis revoltas. Lembrando que a política das migalhas e da cooptação está sempre combinada com a feroz repressão sobre a população das periferias e favelas, levada a cabo pela polícia militar e pelos bandos narcomilicianos.

    Com tudo isso, ao nos aproximarmos do período das eleições municipais, constatamos, mais uma vez, grupamentos e indivíduos autoproclamados “socialistas”, “comunistas” “revolucionários”, “anarquistas” e etc. se movimentarem em direção ao apoio eleitoral a essa socialdemocracia (mais do que tardia). Utilizando-se das surradas justificativas: “combate ao neoliberalismo”, barrar o avanço da direita “defesa da democracia diante da ameaça fascista”, como se neoliberalismo e fascismo não fossem crias do ventre capitalista. Estão, na verdade, tentando mascarar seu oportunismo político, seu reboquismo e sua permanente submissão à institucionalidade burguesa.

    A ação deletéria desses grupamentos, ao criarem falsas expectativas, ajuda a prolongar a existência do sistema de exploração que está nos encaminhando em direção à barbárie. Ao se associarem aos gestores do capitalismo, acabam por pavimentar o caminho das forças mais reacionárias da sociedade, razão pela qual, é imprescindível desmascará-los se queremos reconstruir a tão necessária política de independência do proletariado face aos seus inimigos de classe. 

Rio de Janeiro, 14/03/2024

Ney Nunes, eletricista, bancário, foi militante sindical, ex-dirigente do PCB e autor do livro "Guerra de Classes": https://clubedeautores.com.br/livro/guerra-de-classes



terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Sobre os dois anos da guerra imperialista na Ucrânia

Declaração do Gabinete de Imprensa do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE) - 24/02/2024




A passagem de dois anos desde o início formal do conflito armado imperialista na Ucrânia recorda a todos as trágicas consequências para os povos da derrubada do socialismo e da dissolução da União Soviética.

Nestes dois anos, a guerra em território ucraniano, depois da inaceitável invasão russa e do crescente envolvimento dos EUA, da OTAN e da UE, levou ao massacre dos povos de duas antigas repúblicas soviéticas, a Ucrânia e a Rússia, que viviam em paz e floresceram juntos no âmbito da URSS.

Além disso, tem consequências dolorosas para os povos da Europa, que são chamados a suportar o peso da guerra, da maior militarização dos seus países, dos preparativos para novos conflitos mais gerais. 

O bárbaro massacre do povo palestino por parte de Israel, com o apoio dos EUA e da UE, os planos e antagonismos imperialistas no Oriente Médio e no Mar Vermelho, bem como a tensão em vários locais do planeta, são “indicadores” de situações muito temerárias .

O KKE destacou desde o primeiro momento o caráter antipopular da guerra na Ucrânia, que surgiu no quadro do antagonismo feroz entre as burguesias das potências imperialistas pelo controle dos mercados, das matérias-primas, das redes de transporte, dos apoios geopolíticos no região da Eurásia.

O KKE denuncia o governo da ND que, com o apoio do SYRIZA, do PASOK e dos outros partidos a favor da UE e da OTAN, empurra o país para o “matadouro” das guerras imperialistas pelos interesses de uns poucos exploradores e dos seus aliados na UE e na OTAN.

Os comunistas da Grécia estão na dianteira da luta dos trabalhadores e do movimento popular contra o envolvimento da Grécia na guerra imperialista na Ucrânia, contra as bases dos EUA, contra os gastos militares para a OTAN; Lutamos para que o país fique fora dos planos imperialistas da OTAN e da UE na Ucrânia, no Oriente Médio e no Mar Vermelho.

Continuamos a luta por:

O fim do envio de armas e munições para a Ucrânia, debilitando a capacidade de defesa do país, bem como o treinamento pelas Forças Armadas Gregas de forças do governo reacionário de Kiev,

O não envio de qualquer fragata grega para o Mar Vermelho,

O fechamento das bases de morte, que são utilizadas para o massacre de outros povos e colocam o nosso povo como alvo.

A retirada dos mísseis “Patriot” gregos da Arábia Saudita, bem como de todas as unidades das Forças Armadas gregas que se encontram no estrangeiro,

O desligamento da Grécia das uniões imperialistas da UE e da OTAN, com o povo a governar o seu país.

Fonte: https://inter.kke.gr/en/articles/On-the-second-anniversary-of-the-imperialist-war-in-Ukraine/

Edição: Página 1917

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Ação Comunista em Tempo de Maré Baixa

Francisco Martins Rodrigues*

1991

Como podem os comunistas conseguir que o movimento diário das massas pelas suas reivindicações imediatas acumule forças revolucionárias, mesmo neste período de triunfo em toda a linha da burguesia? Esta é uma questão central para os comunistas portugueses, escaldados por sucessivas infiltrações do reformismo, sempre em nome das melhores intenções marxistas.



Acumulação de forças revolucionárias é coisa praticamente desconhecida em Portugal. O que temos são muitos exemplos de como se desacumulam forças: à frente de todos, claro, o PCP, fiel ao seu trabalho minucioso junto do proletariado, nas empresas e nos sindicatos, agitando a bandeira da “defesa das conquistas”, mas conduzindo as massas de derrota em derrota, devido ao seu respeito supersticioso pelo parlamento e pela ordem burguesa; depois, a “nova esquerda” agrupada no Bloco, exibindo as suas causas alternativas (“ampliar a cidadania”, “aprofundar a democracia”), que, na prática, apenas dão voz ao descontentamento da jovem pequena burguesia, em busca de um lugar ao sol; tivemos também a aposta das FP-25 nas ações de guerrilha urbana como meio de “excitar” o movimento popular em declínio, o que as levou ao previsível naufrágio e ao descrédito da via revolucionária; e há ainda muitos simpatizantes da revolução, enojados com o panorama reinante de colaboração de classes, para os quais todas as reivindicações imediatas, parciais, são indignas de qualquer esforço, pelo que se entregam à inação declamatória ultraesquerdista.

Nesse caso, o que se deve fazer?

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

O PROJETO DE CASAMENTO PARA CASAIS HOMOSSEXUAIS FOI APROVADO NA GRÉCIA

O KKE votou contra em princípio – A posição do KKE por artigo

Partido Comunista da Grécia (KKE)


Bancada do KKE no parlamento grego.

O projeto de lei sobre casamento e adoção de casais homossexuais foi aprovado pelo Parlamento por maioria com votos de ND, SYRIZA, PASOK, Nea Aristera e Plefsi Eleftherias, mas também com muitas abstenções e diferenciações.

O KKE votou em princípio contra o projeto de lei, assinalando que ele aprofunda ainda mais a comercialização do processo reprodutivo através da comercialização da barriga de aluguel no estrangeiro para casais homossexuais e adoções privadas interpaíses. Os deputados do KKE nas suas intervenções destacaram que estas disposições eliminam o direito das crianças de desfrutarem do que deriva da relação maternidade-paternidade.

Deve-se notar que o KKE votou a favor ou “presente” em artigos que promovem algumas modernizações que dizem respeito tanto aos casais homossexuais como aos casais heterossexuais, mas em nenhum caso deu um álibi ao falso progressismo do governo como fizeram outros partidos.

Especificamente, o KKE votou a favor dos artigos 4.º e 5.º que se referem à abolição dos anacronismos no direito da família em relação ao nome das crianças e à declaração de nascimento. Votou a favor do artigo 8.º, que se refere a benefícios fiscais, subsídios para cônjuges e pais, bem como do artigo 9.º, que se refere à abolição da discriminação no emprego, na educação, nos cuidados de saúde, etc. Votou “presente” no artigo 7º que diz respeito a questões de proteção contra demissões. Nos demais artigos o KKE votou contra.

Durante o debate, os partidos que apoiaram o projeto de lei pareceram concordar com a essência reacionária do projeto de lei e com os pretextos que usaram para mascará-lo como “direitos humanos”, a luta contra a “discriminação” e a “igualdade” dos cidadãos. Mas por trás do suposto manto progressista que formaram em conjunto, as disposições do projeto de lei dão um novo impulso à comercialização extrema da adoção e da procriação através da barriga de aluguel comercial e das adoções privadas interpaíses.

Os deputados do KKE destacaram estes aspectos, centrando-se nos direitos das crianças e denunciando a hipocrisia com que o governo os invoca. 

No total, 254 deputados participaram da votação. A favor do projeto de lei em princípio votaram 176 deputados, votaram contra 76 e 2 votaram “presente”.

Do ND, 107 deputados votaram a favor, 20 deputados votaram contra e houve 31 abstenções. Do PASOK, 21 deputados votaram a favor e 11 abstiveram-se. O deputado do SYRIZA, Pavlos Polakis, absteve-se. Dois deputados da minoria muçulmana, Zeybek Hussein e Ferhat Ozgur, abstiveram-se em Nea Aristera.

Fonte: https://inter.kke.gr/es/articles/El-KKE-voto-en-contra-en-principio-La-postura-del-KKE-por-articulo/

Edição: Página 1917










 


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