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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Nós somos Espártaco

John Pilger*

11/2023

Publicamos esse artigo em homenagem ao combativo e premiado jornalista John Pilger, falecido em 30/12/2023.

 

John Pilger

 

Spartacus foi um filme de Hollywood de 1960 baseado em um livro escrito secretamente pelo romancista Howard Fast, na lista negra, e adaptado pelo roteirista Dalton Trumbo, um dos '10 de Hollywood' que foram banidos por sua política 'antiamericana'. É uma parábola de resistência e heroísmo que fala sem reservas ao nosso tempo.

Ambos os escritores eram comunistas e vítimas do Comitê de Atividades Antiamericanas do Senador Joseph McCarthy que, durante a Guerra Fria, destruiu as carreiras e muitas vezes as vidas daqueles que tinham princípios e eram suficientemente corajosos para enfrentar o fascismo na América.

'Este é um momento difícil, agora, um momento preciso...' escreveu Arthur Miller em  The Crucible'Não vivemos mais na tarde escura em que o mal se misturava com o bem e confundia o mundo.'

Existe agora um provocador “preciso”; é claro para quem quer ver e prever suas ações. É um bando de Estados liderado pelos Estados Unidos cujo objetivo declarado é o “domínio de todo o espectro”. A Rússia ainda é a odiada, a China Vermelha a temida. De Washington e Londres, a virulência não tem limite. Israel, o anacronismo colonial e cão de ataque solto, está armado até aos dentes e beneficia de impunidade histórica para que “nós”, o Ocidente, garantamos que o sangue e as lágrimas nunca sequem na Palestina. Os deputados britânicos que ousam pedir um cessar-fogo em Gaza são banidos, e a porta de ferro da política bipartidária foi-lhes fechada por um líder trabalhista que negaria água e alimentos às crianças da Palestina.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

O Triunfo da Pequena Burguesia

Francisco Martins Rodrigues
1984

"A pequena burguesia é a caixa de ressonância de todas as modas lançadas pela burguesia. Transporta para o seio das massas proletárias e semiproletárias a ideologia burguesa e imperialista mascarada numa versão “popular” atraente."

 



    O traço característico do último meio século é pois a apropriação do marxismo-leninismo pela nova burguesia e pequena burguesia de “esquerda”, que o transformou numa arma suplementar de acorrentamento do proletariado. O reformismo completou a obra de terror.

    O “marxismo” burguês dos nossos dias, primeiro centrista com o 7º congresso da Internacional, depois abertamente revisionista com o 20º congresso do PCUS, despojou o marxismo da sua natureza proletária, crítica, revolucionária, para o desfigurar num dogma utópico-reformista, consolador dos explorados e oprimidos com esperanças numa revolução que se afasta cada vez mais.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Não Alimentem os Inimigos do Proletariado!

Ney Nunes

15/12/2023

Você tem uma assinatura ou adquire com regularidade algum produto do oligopólio midiático brasileiro (Globo, Record, Band, SBT, CNN, Jovem Pan e etc.)?



Vamos refletir um pouco sobre isso.

Esse oligopólio está na linha de frente contra qualquer luta do povo trabalhador, ao mesmo tempo em que apoia todas as medidas que visem garantir ou aprofundar a exploração em favor da burguesia.

Além disso, é o porta-voz do sistema imperialista em nosso país, respaldando sempre seus interesses econômicos e geopolíticos. O exemplo mais atual é a cobertura cretina que estão fazendo da invasão israelense na faixa de Gaza, quando tentam de todas as maneiras justificar os crimes contra humanidade que Israel vem cometendo, ao assassinar, com seus bombardeios diários, milhares de civis desarmados, principalmente idosos, mulheres e crianças palestinas.

Em princípio, a sua mensalidade pode parecer pouco, mas somada a milhares de outras, ela contribui para manter e fortalecer essa verdadeira máquina de propaganda do capitalismo e da guerra imperialista.

Precisamos refletir e agir. Boicotar quem nos açoita diariamente é o mínimo que podemos fazer em prol da nossa causa.

Não alimentem os inimigos do proletariado!

Boicotem a máquina de propaganda capitalista!

Cancelem suas assinaturas!


segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Morte e Destruição em Gaza

John Mearsheimer*

13/12/2023

"Os Estados Unidos não só foram o único país a votar contra uma recente resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar-fogo imediato em Gaza, mas também têm fornecido a Israel as armas necessárias para levar a cabo este massacre."

Não creio que nada do que eu diga sobre o que está a acontecer em Gaza vá afetar a política israelense ou americana nesse conflito. Mas quero que fique registado para que, quando os historiadores olharem para trás e para esta calamidade moral, vejam que alguns americanos estavam do lado certo da história.


O que Israel está a fazer em Gaza à população civil palestina – com o apoio da administração Biden – é um crime contra a humanidade que não serve nenhum propósito militar significativo. Como afirma a J-Street, uma importante organização de lobby de Israel: “A dimensão do desastre humanitário e das vítimas civis que estão a ocorrer é quase incompreensível.”[1]

Permitam-me explicar.

Primeiro, Israel está a massacrar propositadamente um grande número de civis, dos quais aproximadamente 70% são crianças e mulheres. A alegação de que Israel está a fazer todo o possível para minimizar as vítimas civis é desmentida por declarações de altos funcionários israelenses. Por exemplo, o porta-voz das FDI disse em 10 de outubro de 2023 que “a ênfase está nos danos e não na precisão”. Nesse mesmo dia, o ministro da Defesa, Yoav Gallant, anunciou: “Eu aliviei todas as restrições: mataremos todos os que combatermos; Usaremos todos os meios"[2].

Além disso, os resultados da campanha de bombardeamento mostram claramente que Israel está a matar civis indiscriminadamente. Dois estudos detalhados da campanha de bombardeamento das FDI – ambos publicados nos meios de comunicação israelitas – explicam detalhadamente como Israel está a assassinar um grande número de civis. Vale citar os títulos dos dois artigos, que resumem sucintamente o que diz cada um deles:

"Uma fábrica de assassinatos em massa: por dentro do bombardeio calculado de Israel em Gaza"[3].

"O exército israelense abandonou a contenção em Gaza e os dados mostram uma carnificina sem precedentes"[4].

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