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segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Assassinato de Leon Trotsky

Por Joe Hansen*

Trotsky no leito de morte, 21 agosto 1940.


Desde o ataque de metralhadora pela GPU ao quarto de Trotsky em 24 de maio, a casa em Coyoacán havia sido praticamente transformada em uma fortaleza. A guarda foi ampliada e mais bem armada. Foram instaladas portas e janelas à prova de balas. Um reduto foi construído com telhado e piso à prova de bombas. No lugar da velha porta de madeira, onde Robert Sheldon Harte foi surpreendido e sequestrado pelos perseguidores da GPU, foram colocadas portas duplas de aço controladas por interruptores elétricos. Três novas torres à prova de balas dominavam não apenas o pátio, mas toda a vizinhança ao seu redor. Emaranhados de arames farpados e redes de bombas estavam sendo preparados. Toda essa construção foi possível graças aos sacrifícios dos simpatizantes e militantes da Quarta Internacional, que fizeram de tudo para protegê-lo, sabendo que Stalin com certeza tentaria outro ataque mais desesperado após o fracasso em 24 de maio. O governo mexicano, o único país do mundo que concordou em dar asilo a Trotsky em 1937, triplicou o número de guardas que se revezavam do lado de fora da casa, fazendo tudo ao seu alcance para salvaguardar a vida do exilado mais famoso do mundo. Apenas a forma do novo ataque era desconhecida. Outro ataque de metralhadora mais feroz? Bombas? Cassetetes? Envenenamento?

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

A Obra de Lenin é Atual*

Giorgos Marinos**
 22 de abril de 2021

Estimados camaradas:

Este evento online da Iniciativa Comunista Europeia é dedicado ao 151º aniversário do nascimento do grande revolucionário Vladimir Ilyich Lenin e a sua obra valiosa.

O dirigente do partido bolchevique foi o fundador do Partido Comunista, o partido de Novo Tipo, o líder da Grande Revolução Socialista de outubro de 1917 que abalou o mundo, e dos primeiros anos de construção socialista. Ele foi o protagonista da fundação da Internacional Comunista que impulsionou a luta dos partidos comunistas e a estratégia comunista unificada.

Rendemos honra a Lênin reconhecendo nossa responsabilidade de estudar e aprofundar sua obra, e em geral, nossa visão de mundo, o marxismo-leninismo, compreendendo mais profundamente que "Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário".

Armados com os princípios leninistas, podemos enfrentar as dificuldades da contra-revolução, continuar persistentemente a luta para superar a profunda crise ideológica, política e organizacional do movimento comunista, para conseguir seu reagrupamento revolucionário.

O capitalismo está podre. Está crescendo o fosso entre as possibilidades criadas pelo avanço científico e tecnológico e o grau de satisfação das necessidades populares.

Isso fica evidente pela intensificação da exploração, crises capitalistas, a nova crise de superacumulação de capital, desemprego e pobreza que a classe trabalhadora e as camadas populares estão experimentando em todo o mundo, em face do ataque generalizado do capital, dos governos liberais ou sociais democratas burgueses.

A pandemia e suas duras consequências para os povos, o colapso dos sistemas de saúde pública e comerciais, os milhões de mortos evidenciam os impasses do sistema.

Esses impasses também são sinalizados pelos planos militares e políticos dos Estados Unidos, da OTAN e da UE, as guerras imperialistas, as rivalidades com a Rússia e a China, em uma longa corrida pelo controle dos mercados, dos recursos naturais, das vias de transporte de energia, que advertem sobre novas e generalizadas guerras.

O objetivo da luta do partido revolucionário da luta de classes, segundo Lenin, era “dirigir a luta da classe trabalhadora não só para obter condições vantajosas condições de venda da força de trabalho, mas sim, para destruir o regime social que obriga os despossuídos vender-se aos ricos ”.

As tarefas dos partidos comunistas estão se multiplicando. É o momento de fortalecer o espírito crítico e autocrítico ao examinar a experiência acumulada, estudar mais profundamente as causas da contra-revolução, a história dos partidos comunistas, do movimento comunista, tirar conclusões e comprovar o nível de preparação revolucionária. Isso é o que nossa época exige como uma época de transição do capitalismo ao socialismo.

Alguns partidos comunistas passaram por muitas dificuldades e retrocessos e conseguiram lançar as bases da estratégia revolucionária, o que é um avanço importante.

No entanto, a luta pela derrubada do capitalismo, pelo poder dos trabalhadores, pela “ditadura do proletariado”, requer o fortalecimento ideológico e político dos partidos comunistas, generalização da estratégia revolucionária, laços fortes com a classe trabalhadora e as camadas populares, o papel protagonista no movimento operário e trabalho persistente para ganhar consciências, desviar forças da ideologia burguesa e do oportunismo.

Requer partidos comunistas fortes, com organização nas fábricas, nos centros de trabalho, capacidade de dirigir, de desenvolver a teoria baseada nos princípios do marxismo-leninismo para o estudo sistemático dos acontecimentos, dos novos fenômenos que surgem no sistema de exploração.

As condições objetivas determinarão quando e onde o "elo fraco" será quebrado e os comunistas devem estar bem preparados para que o fator subjetivo, o Partido Comunista, o movimento operário e a aliança social consigam estar à altura das circunstâncias.

A discussão, o debate no movimento comunista sobre o caráter da revolução é crucial. Na época dos monopólios, do imperialismo, amadureceram as condições materiais para a sociedade socialista-comunista, o caráter da revolução é objetivamente socialista, não se determina pela correlação de forças, mas sim, pelos interesses da classe trabalhadora que está no palco da História, por causa da contradição básica que deve ser resolvida, a contradição capital-trabalho.

A velha estratégia de "estágios intermediários de transição" custou muito caro ao movimento comunista, confinando a luta ao domínio do capitalismo. O poder será burguês ou operário; não houve e nunca haverá uma terceira via. Abandonar o poder dos trabalhadores e ter como objetivo criar as chamadas “frentes antifascistas e antineoliberais”, governos “antimonopolistas”, “de esquerda”, “progressistas” significa perpetuar o sistema de exploração. Isso foi demonstrado pela experiência na América Latina e a nível internacional.

As colaborações políticas com a socialdemocracia, o apoio ou participação em governos socialdemocratas de qualquer tipo, afetam o curso dos partidos comunistas, sua independência política e ideológica, conduzem à manipulação do movimento operário, o deixam desarmado, são um elemento da crise do movimento comunista.

O confronto de Lenin com o "governo provisório" após a revolução burguesa de fevereiro de 1917, o debate nos sovietes e as "Teses de Abril" assinalam o caminho do enfrentamento constante com as forças burguesas e oportunistas como condição para a preparação da revolução socialista.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

LIQUIDAR O PASSADO PARA DESTRUIR O FUTURO?

Érico Czaczkes Sachs*

Publicado na Revista Marxismo Militante (exterior) Data provável: 1975

"Não conseguiremos preencher o nosso papel sem quadros políticos operários, à base de manifestos e resoluções, dos quais as massas não tomam conhecimento. Somente situados no meio da classe, enraizados, teremos possibilidade de influir sobre seu comportamento."

Érico Czaczkes Sachs


[...] Em primeiro lugar, temos de aprender a enfrentar realisticamente a situação e os fatos, isto é, analisá-los a base de um método materialista. De nada adianta querer impor às nossas lutas de classes e ao nosso proletariado soluções, palavras de ordem e resoluções copiadas de situações objetivamente diferentes, com um nível de luta e de organização diverso do nosso. Isso não eleva o nível e simplesmente nos deixa por fora da classe e dos acontecimentos. Temos de saber avaliar exatamente, a cada momento, a receptividade e a capacidade de ação do nosso proletariado, para derivar as suas (e as nossas) tarefas. De nada adianta também ficar à procura do operário ideal, do proletariado com “consciência socialista” para trabalhar com ele, quando o problema fundamental – mesmo para a camada mais adiantada – ainda é o da criação de uma consciência proletária e o da confiança na força da própria classe.

[...] Não conseguiremos, porém, adaptar-nos à situação nenhuma, se ficarmos fora da classe operária. Não conseguiremos preencher o nosso papel sem quadros políticos operários, à base de manifestos e resoluções, dos quais as massas não tomam conhecimento. Somente situados no meio da classe, enraizados, teremos possibilidade de influir sobre seu comportamento. Somente criando quadros proletários contribuiremos para a formação de uma nova liderança de classe nas lutas que estão para vir.

É uma concepção completamente distorcida de luta de classe, um conceito absolutamente pequeno-burguês, querer supor que possamos enfrentar as nossas tarefas de vanguarda proletária à base de elementos integrados. Estes só tem sentido em facilitar a formação de quadros políticos operários. A classe, ela tem a sua própria vida (e notaremos em todo o seu alcance, quando começar a se agitar) e não tem conhecimento de um punhado de elementos com boas idéias que vem de fora. A classe, ela criará as suas novas lideranças em todos os níveis no decorrer da luta. Temos de atingir essas lideranças em potencial, temos de contribuir para a sua formação, pelo menos em centros vitais, cujo comportamento repercutirá sobre a classe toda. E para isso, temos de encontrar essa camada hoje, no nível de consciência que tem, pois somente a experiência das lutas, mais a nossa atuação no meio dela, pode torná-la mais conseqüente. Mas não podemos esperar que esse “proletariado socialista”, consciente e independente, caia do céu para adotar as nossas teses e resoluções.

Fonte: https://www.marxists.org/portugues/sachs/1975/mes/40.pdf

* Nasceu em Viena, em 1922. Filho único numa família judia, proveniente de Tchernowitz (fronteira da Áustria-Hungria com a Rússia até 1919), seu pai era membro destacado da Social-Democracia austríaca e sua mãe, nascida na Rússia, conhecia de perto o Partido Bolchevique, dada a circunstância de ter um irmão militante nas fileiras do partido russo. Em 1934, Erico acompanha a sua mãe, Sina Ida Czaczkes, numa viagem que representaria a sua primeira emigração: mudam-se para a Rússia... Instalados em Moscou, Erico passa a freqüentar a Escola Karl Liebknecht, onde permaneceria até 1938. Os quatro anos em Moscou marcaram decisivamente a sua formação intelectual. A escola era freqüentada principalmente por filhos de refugiados alemães, embora também abrigasse jovens de outras nacionalidades. Foi nesse período que Erico estudou pela primeira vez o marxismo, ao tempo em que obtinha informações da oposição a Stalin. Seus contatos com os militantes da Oposição valeram-lhe a expulsão da Rússia, em 1937.

De volta para a Áustria, Erico e sua mãe lá não permanecem mais que alguns meses: O clima de perseguições aos judeus tornava impraticável a sua permanência na Áustria.  Para Erico, com apenas dezesseis anos, já era a terceira vez em que se via obrigado a abandonar um país.  Foge da Áustria a pé, alcançando a Bélgica através de território alemão e daí chega até a França.  Em Paris, procura Thalheimer e Brandler, os líderes da Oposição Alemã.  Torna-se o mais jovem militante da KPO (Oposição Comunista Alemã) no exílio.  Morando com Thalheimer, além das discussões sistemáticas que mantem com o principal líder da Oposição Alemã, encontra-se com outras figuras destacadas do comunismo, como Víctor Serge, e com militantes do POUM.

Em 1939, Erico e sua mãe decidem emigrar para o Brasil. Em seus primeiros passos no ambiente brasileiro, aos poucos foi conhecendo a realidade do nosso movimento operário.  Trabalhando como gráfico, participou da organização dos gráficos paulistas.  Posteriormente – a partir do final da década de quarenta – foi jornalista, e seus artigos publicados no Correio da Manhã dão uma rica visão panorâmica do mundo no pós-guerra.  Progressivamente, sua influência intelectual foi se firmando junto a segmentos da esquerda brasileira.

Erico trouxe para o Brasil a tradição aberta por Rosa Luxemburgo e outros de que  cada nova revolução é uma fonte de novas experiências, mas não cabe acatar o stalinismo, o trotsquismo (nem o maoismo ou o castrismo) como métodos ou sistemas.

Durante a década de cinqüenta, exerceu, no Brasil, grande influência na preparação ideológica de uma corrente de pensamento, trabalho que culminou, em 1960, na convocatória para o 1º Congresso da Organização Revolucionária Marxista, Política Operária.

Em 1969, Erico foi preso pelo DOPS carioca.  Conseguindo fugir da prisão, refugia-se na Embaixada da Áustria e, em 1970, pela quarta vez em sua vida, tem que abandonar um país.  Mas desta vez trata-se do país que, voluntariamente, escolheu como seu.  Na sua volta ao Brasil, em 1980, integra-se no Partido dos Trabalhadores, no Rio de Janeiro. Durante a ditadura um dos pseudônimos utilizado por ele foi o de Ernesto Martins.

Erico morreu no Rio de Janeiro, em 9 de maio de 1986.  Seus últimos anos foram vividos em condições materiais extremamente precárias, virtualmente relegado ao isolamento e à miséria.  Velho comunista, mais de uma vez lembrara da célebre colocação de Rosa Luxemburgo sobre o “isolamento revolucionário”.  Para ele, a consciência do próprio isolamento era também a certeza do caráter circunstancial dessa situação, sobre a qual se projetava a convicção da vitória final que caberá à sua causa, à sua ideologia e à classe à qual aderiu.  A história do comunismo está repleta de exemplos como esse.

Ver este resumo biográfico na íntegra em: http://centrovictormeyer.org.br//wp-content/uploads/2010/04/Ernesto-Martins-Eric-Czaczkes-Sachs.pdf

Edição: Página 1917

domingo, 13 de agosto de 2023

A Situação no Níger e as Questões em Jogo

DECLARAÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO DA FRANÇA (PCRF)

05/08/2023

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Em 26 de julho de 2023, em Niamey, no Níger, o presidente Mohamed Bazoum foi deposto por Abourahamane Tiani, ex-chefe da guarda presidencial que esteve ao seu serviço   durante 10 anos, com a ajuda de parte do aparelho militar nigerino e o apoio ativo de grande parte das massas nigerinas, como testemunha a manifestação deste domingo, 30 de julho, que reuniu milhares de manifestantes em frente à embaixada francesa. 

Este terceiro golpe de Estado no Sahel desde 2020  -  e mais uma vez encontramos a mesma justificação política e a mesma razão para um verdadeiro apoio popular, mesmo que, para o PCRF, a tomada do poder pelo exército não constitua de forma alguma um derrubamento revolucionário do Estado burguês a favor do povo do Níger -  representa o xeque-mate absoluto do Estado francês na sua linha de frente militar no Sahel. Mali e Burkina Faso foram os primeiros países a emancipar-se de uma presença militar [francesa] cujo papel se tornou cada vez mais claro para as massas populares do Sahel: o de preservar os interesses do imperialismo francês no Sahel, em vez de pôr fim à jihad. 

Todo o aparelho imperialista da União Europeia foi acionado para apoiar o Estado francês, que sofreu uma terceira grande derrota na sua histórica zona de influência. A Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) fez um ultimato para que os golpistas reintegrassem Mohamed Bazoum, sem o que todas as transações comerciais seriam interrompidas  não  excluindo o recurso à força. 

Os chefes de estado-maior da organização reuniram-se em Abuja até sexta-feira, dois dias antes do fim do ultimato. Em linha com o bloqueio económico decidido no domingo, a Nigéria cortou o seu fornecimento de eletricidade ao Níger, que  depende 70% do seu vizinho para o fornecimento de energia. Alemanha, França e União Europeia seguiram o exemplo, suspendendo todos os fluxos monetários e exportações para o Níger por enquanto, tendo Emmanuel Macron  convocado uma reunião extraordinária do Conselho de Defesa. Biden esteve presente também e pediu a libertação do presidente legítimo e da sua família, tendo os EUA a segunda maior presença militar estrangeira no Níger, com mais de 1.000 soldados no terreno (a França tem 1.500). O Banco Mundial anunciou a suspensão dos pagamentos "de todas as suas operações até novo aviso". 

Por que é que as trabalhadores e os trabalhadores e as camadas populares que vivem na França não têm interesse em apoiar tais medidas, e por que é necessário unir forças contra elas? 

Sob a sua fachada democrática, a burguesia francesa é, de fato, uma potência imperialista agressiva e de rapinagem no Sahel. A Operação Barkhane, que está oficialmente encerrada, deu lugar a uma presença militar na casa dos milhares, principalmente no Chade e no Níger, sem qualquer enquadramento legal. Atualmente, há uma luta para recuperar uma zona de influência essencial para recursos minerais como a bauxita, o cobre e o zinco. Não esqueçamos que o Níger dispõe de recursos de urânio significativos para a França, que não quer abandoná-los, particularmente num momento de contradições interimperialistas com o Estado russo, que grassa no Sahel. Hoje, o Níger é responsável por 5% da produção mundial de urânio e 15% do abastecimento francês. O grupo francês ORANO (ex-Areva) continua a operar na mina de urânio de Somaïr, 800 quilómetros a norte da capital Niamey, com cerca de 900 funcionários – quase todos nigerinos – e 1.200 subcontratados. 

O monopólio francês ORANO, detido em 90% pelo Estado burguês, está presente no Níger há mais de 50 anos através de três subsidiárias organizadas sob a lei nigerina, e tem três locais de mineração dedicados à extração de urânio, o minério que alimenta reatores nucleares. Trata-se da Compagnie des mines d'Akokan (Cominak), da Société des mines de l'Aïr (Somaïr) e da Imouraren. Todos são propriedade conjunta do estado nigerino e estão no deserto do noroeste do país, perto da cidade de Arlit. Na unidade de Imouraren, a produção ainda não começou. Este local é frequentemente apresentado como a "mina do século", com reservas estimadas em quase 200.000 toneladas de urânio. 

A contrarreforma das pensões [aumento da idade da reforma] e a fascização em curso do aparelho de Estado francês na França metropolitana estão substancialmente ligadas a uma situação internacional em que a burguesia francesa é cada vez mais agressiva na defesa, reforço e alargamento das suas zonas de influência, como evidenciam monopólios como a Vivendi ou a Total, bem conhecidos das massas populares em todo o Sahel pelas suas exportações de infraestruturas, pilhagem de recursos naturais e manipulações políticas para capturar setores da burguesia nacional. Paralelamente ao aumento da agressividade no exterior, o Estado capitalista precisa de intensificar a exploração e a repressão em casa. 

De fato, não existe uma separação estanque entre as lutas dos trabalhadores franceses pelas suas pensões, contra a violência policial, e a luta das massas populares nigerinas pelo seu direito à autodeterminação a todos os níveis. 

A questão estratégica agora é: as riquezas do subsolo do Níger continuarão a ser exploradas por empresas monopolistas francesas ou pelos monopólios de outros imperialismos? 

O povo trabalhador do Níger deve livrar-se do capitalismo. Ele pode descobrir por si mesmo que, substituindo um imperialismo por outro, nenhum problema na vida do povo do Níger será resolvido. 

O PCRF exige respeito pela soberania nacional e popular do Níger. O resultado do processo atual neste Estado africano dependerá do nível de liderança política assumida pela classe trabalhadora e pelas massas em direção a um anti-imperialismo popular  para o socialismo. 

O PCRF exige a retirada imediata das tropas francesas do Níger e de todo o Sahel. Nem mais um soldado francês fora da França, encerramento de todas as bases militares francesas no estrangeiro.

Fonte: https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/

Edição: Página 1917 

 

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