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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Banco do Brasil e Ford: Capitalismo Sem Disfarces

 Ney Nunes*

    Os anúncios, na mesma semana, de mais um plano de reestruturação do Banco do Brasil (leia-se plano de desmonte para privatizar) e do fechamento de todas as fábricas da Ford no país, trouxeram à tona o que os “maquiladores” do capitalismo tanto esforço fazem para ocultar, ou seja, na atual fase desse sistema econômico caduco não existe possibilidade para devaneios reformistas.

Protesto contra fechamento da Ford em São Bernardo, 2019.
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   As duas iniciativas, uma do governo Bolsonaro e a outra da direção da multinacional norte-americana, vão no mesmo sentido: aumentar a exploração dos trabalhadores e concentrar capital para fazer frente a crise crônica do capitalismo.

   No BB, o desmonte do banco público vem acontecendo desde o governo Dilma, foi intensificado por Temer e agora mais ainda pelo fascista Bolsonaro. O objetivo é arrochar os funcionários, transferir para os bancos privados as operações mais rentáveis do BB, reduzir seu espaço no mercado e, finalmente, vender por qualquer ninharia o que restar. Em plena pandemia o plano atual, reduz mais uma vez a rede de agências, corta salários, funções gratificadas e prevê a redução de 5 mil postos de trabalho. Serão fechadas 361 unidades, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento. Um encolhimento premeditado que vai muito além dos efeitos da automação bancária, feito na medida para favorecer os bancos privados.

   A Ford chegou ao Brasil em 1919, mas, como outras montadoras, cresceu de forma acelerada a partir da metade do século XX, aproveitando-se do rodoviarismo incrementado no país após o fim da Segunda Guerra Mundial, em detrimento do transporte ferroviário. Também se beneficiou dos conhecidos e generosos incentivos fiscais. Depois de um século remetendo milhões de dólares de lucros obtidos graças  a esses incentivos fiscais e, principalmente, explorando a mão-de-obra barata do trabalhador brasileiro, a Ford anunciou o fechamento das suas três fábricas restantes no país (em 2019 já havia fechado a de São Bernardo em SP). Isso faz parte de um processo de reestruturação mundial da empresa para reduzir custos e aumentar a lucratividade, deixando aqui no Brasil um saldo de milhares de desempregados.

   Nesses dois casos, assim como, em inúmeros outros que vêm se sucedendo ao longo das últimas décadas, as decisões dos capitalistas e dos seus prepostos nos governos estão sempre na direção de concentrar o capital e a renda, às custas da superexploração dos trabalhadores. Esses fatos indicam não existirem mais condições para remendos na teia desse sistema, a sua continuidade representa um verdadeiro passaporte para a barbárie.

 Quando reformismo se confunde a luz do dia com neoliberalismo, os disfarces para “embelezar” o capitalismo começam a cair por terra. O caminho da classe trabalhadora é a retomada da consciência de classe, da organização e da unidade para lutar, bases imprescindíveis para os enfrentamentos que tendem a ser cada vez mais radicalizados contra o capital.  Esse caminho é o da revolução.

*Diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e ex-funcionário do Banco do Brasil.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Biden Põe um Criminoso de Guerra à Frente do Pentágono

Biden nomeou como secretário da Defesa o general Lloyd Austin. Será o primeiro negro à frente do Pentágono.

General Austin comandando ocupação no Iraque.


Como bom farsante, durante a campanha eleitoral Biden disse que a Guerra do Iraque havia sido um "erro". Austin ajudou a dirigir o referido "erro". Primeiro dirigiu a invasão e a seguir a ocupação militar.

Em 2010 dirigiu o treino das ISF (Forças de Segurança Iraquianas), que logo se destacaram pelos crimes de guerra que cometeram em Mossul. Uma unidade das ISF foi gravada a golpear e matar iraquianos nus, incluindo uma criança.

Em 2013 foi nomeado comandante do Centcom, oficialmente conhecido como Comando de Combate, que está no comando de todas as tropas dos Estados Unidos no Oriente Médio. É um dos 11 grupos de tropas dos EUA numa região específica do mundo.

Entre as atrocidades mais documentadas cometidas pelas tropas de Austin no Oriente Médio está a destruição de cidades inteiras da Síria, o bombardeio de um hospital no Afeganistão, no qual morreram 42 pessoas e o começo da guerra infame que os EUA desencadearam contra o povo iemenita, juntamente com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Depois de se retirar do exército, em 2016, Austin uniu-se à empresa Raytheon, o terceiro maior empreiteiro de defesa dos EUA e um dos maiores fabricantes de armas do mundo.

Uma vez que um terço da equipe de transição de Biden provém de empresas da indústria armamentista e de equipes de consultoria, é lógico que os interesses comerciais da Raytheon estejam representados pelo secretário da Defesa.

Austin também faz parte da junta diretiva da Tenet Healthcare, um conglomerado de empresas dedicadas a cuidados de saúde que utilizou o dinheiro dos impostos do seguro médico "Cares" para encher os bolsos durante a pandemia.

Para que os civis pudessem controlar melhor o exército, em 1947 os Estados Unidos aprovaram uma lei que proíbe os militares reformados, como Austin, de ocupar cargos no Pentágono quando têm menos de sete anos da data da reforma.

É papel molhado. Trump já a ignorou ao nomear James Mattis como secretário da Defesa. O mesmo vai-se passar com Austin.

Para encobrir o assunto e a biografia de Austin, a mídia capitalista vai iniciar uma campanha de imagem destacando que Austin é negro e que é a primeira vez que um negro é posto à frente do Pentágono. Para subir a essas alturas, os negros têm que cometer tantos crimes como os brancos, pelo menos.

Fonte: https://resistir.info/eua/austin_07jan21.html

Edição: Página 1917.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A Conjuntura Nacional no Começo de 2021: Crise, Pandemia e Resistência.*

08/01/2021

As Crises do Capital Têm Caráter Global e de Luta de Classes


No dia 4 de dezembro de 2020 publicamos nossa avaliação da conjuntura internacional ao final de mais um ano de crise do imperialismo, de pandemia global e de deterioração das condições de vida e de trabalho da classe operária e demais classes dominadas. Àquele texto necessariamente segue este, com nossa avaliação da conjuntura nacional, que agora apresentamos à crítica dos camaradas e leitores. A continuidade entre os dois textos reforça os aspectos comuns da crise do capital – seu caráter mundial – ao tempo em que destaca suas especificidades no Brasil.

Assembleia geral dos operários e operárias da Renault, em agosto de 2020.


O capitalismo sempre busca ultrapassar suas fronteiras nacionais e constituir um “mercado mundial” (Marx). Logo, suas crises tendem a ser crises desse mesmo mercado mundial. Na fase imperialista, a partir do início do século XX, essas crises se agravam, assim como sua tendência de abarcar toda a economia mundial, o sistema imperialista. Dessa forma, a análise da conjuntura (e das suas crises) deve levar em conta esse duplo e contraditório conjunto de determinações globais e nacionais.

As crises, expressões das contradições do capitalismo, são também luta de classes – tanto em relação às suas causas, quanto por modificar as condições em que ocorrem essas lutas. As contradições entre burguesia e proletariado, fundadas na própria esfera da produção, assim como as demais contradições do capitalismo (por exemplo, a concorrência entre capitais), condicionam as formas de produção; o nível de automatização (composição técnica e orgânica do capital) e a intensidade e a jornada de trabalho, portanto a produtividade; os níveis de salários, a repartição do resultado da produção e do excedente entre patrão e operários/as; a demanda de mercado para a realização da produção; as taxas de lucro; e outros aspectos da produção e da circulação capitalistas. As crises no capitalismo também são causadas pela (são expressões da) luta de classes.

As crises também tendem a modificar as condições existentes da luta de classes, fortalecendo uma ou outra das classes antagônicas. Por um lado, as crises podem reforçar a resistência e a solidariedade das classes exploradas, sua organização política e seu sentimento de classe. É o caso, por exemplo, das greves operárias no Brasil do final dos anos 1970 (1978-1980). Partindo desses aspectos, a luta de classes proletária pode avançar ainda mais nas crises e chegar à tomada revolucionária do poder, como nos casos da Comuna de Paris (1871) ou da Revolução Russa (1917). Por outro lado – caso atual – a burguesia pode aproveitar a crise como momento de sua ofensiva na luta de classes contra os/as dominados/as. Com menor organização e mobilização do proletariado, sob predomínio do reformismo e do oportunismo, os patrões aproveitam o desemprego crescente e a piora das condições de vida para atacar as conquistas dos/as trabalhadores/as em prol da retomada dos seus lucros.

Para o capital, a função da crise é exatamente essa: possibilitar a retomada das condições de acumulação e de lucratividade. Isso ocorre de diversas formas, como a redução dos salários e dos custos salariais indiretos, o aumento da jornada e da intensidade do trabalho, etc. Ou seja, mediante o aumento da exploração capitalista, que representa para as classes dominadas o aprofundamento da miséria e da fome – uma barbárie sem fim. Enquanto para a burguesia, para os patrões, significa o acúmulo de riquezas sem fim. Para possibilitar uma constante reprodução dessa situação de agravamento de todas as contradições do capitalismo, torna-se necessária uma ainda maior repressão contra as classes dominadas.

Em suma, a crise do capital deixa ainda mais evidente a impossibilidade de o capitalismo resolver os problemas da vida dos dominados. Diante dessa constatação, a única resposta definitiva por parte do proletariado e das classes dominadas é romper os grilhões que os mantêm explorados e iniciar a construção do seu próprio mundo, o socialismo e o comunismo.

Discurso de Lenin - O que é o Poder Soviético?





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