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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

A Batalha de Moscou

Como a blitzkrieg alemã foi interrompida na Batalha de Moscou de 1941 (FOTOS)

Samary Gurary/Sputnik
A contraofensiva soviética nos arredores de Moscou, em dezembro de 1941, foi surpresa total para a Wehrmacht. Os alemães estavam certos de que o Exército Vermelho estava quase acabado.

O período inicial da Operação Barbarossa foi um verdadeiro pesadelo para o Exército Vermelho. Ao longo de vários meses, a Wehrmacht ocupou toda a região do Báltico, a Bielorrússia e grande parte da Ucrânia. Centenas de milhares de soldados soviéticos foram mortos ou capturados, enquanto os alemães se aproximavam das principais cidades do país, Leningrado e Moscou.

Tropas alemãs na frente oriental

No início de outubro de 1941, a apenas 200 km da capital, perto de Viazma, quatro exércitos soviéticos, cercados, perderam cerca de um milhão de pessoas, fossem mortas, feridas ou capturadas. Moscou estava praticamente sem defesa. Em 15 de outubro, a cidade entrou em pânico, seus moradores fugiram em massa para o oriente e o caos foi acompanhado de saques e roubos. “Várias pessoas na rua estavam forçando a porta de uma loja, um já estava roubando comida”, lembra a engenheira Susanna Karpatcheva. “Havia um fluxo interminável de pessoas com mochilas circulando pela rodovia, além de carros e caminhões carregados de pertences domésticos. Hoje, as pessoas estavam deixando Moscou, assim como ontem estavam deixando Viazma.” Foi apenas com a aplicação de medidas duras, incluindo toque de recolher e patrulhas militares, que as autoridades conseguiram normalizar a situação.

Moscovitas constroem linhas de defesa nos acessos à cidade

Até que unidades de reserva da Sibéria, dos Urais e do Extremo Oriente chegassem para defender a capital, o comando soviético tentou ganhar tempo e retardar o inimigo o máximo possível. Todos os regimentos e divisões disponíveis foram lançados nas linhas de defesa construídas às pressas nas proximidades de Moscou. As fileiras foram reforçadas por cadetes de escolas militares de Moscou (os chamados “cadetes do Kremlin”) e de Podolsk, entre os quais muitos ainda não tinham completado 18 anos. Após a formatura, eles deveriam ingressar nas Forças Armadas como comandantes, mas, diante da situação, seguiram para a frente como soldados rasos.

Em combates pesados ​​e ferozes, os destacamentos combinados de cadetes das escolas de infantaria e artilharia de Podolsk, tendo perdido 2.500 de um total de 3.500 pessoas, conseguiram conter o inimigo por 12 dias, embora sua ordem tivesse durado apenas cinco dias, no máximo. “O primeiro pelotão explode um bunker onde rompemos as linhas”, lembrou Adalbert Wasner, da 19ª Divisão Panzer. “Segue-se um combate corpo a corpo extremamente feroz, com ambos os lados sofrendo perdas. Os primeiros prisioneiros são feitos. Trata-se de cadetes da escola militar de Podolsk. Eles são chamados de ‘cadetes de Stálin’ e todos lutaram com extrema bravura.”

Em 7 de novembro, no 24º aniversário da Revolução Bolchevique, um desfile militar foi realizado na Praça Vermelha. Algumas das unidades que dela participaram marcharam direto para a frente, que se aproximava cada vez mais da capital. Em suas memórias “Reminiscências e Reflexões”, o marechal Gueórgui Jukov descreveu o momento: “Esse evento desempenhou um papel importante no fortalecimento do moral do Exército e do povo soviético e foi de grande importância internacional”. O desfile mostrou ao mundo que a União Soviética ainda não havia sido derrotada. O que importava particularmente para os moscovitas era que o próprio Stálin estava presente no desfile e ali fez um discurso. As pessoas viram que o comandante-chefe supremo ainda estava em Moscou, embora a maior parte do governo soviético já tivesse evacuado para Kuibichev (atual Samara) na época.

Desfile militar na Praça Vermelha em 7 de novembro de 1941

Em 2 de dezembro, unidades da 2ª Divisão Panzer da Wehrmacht ocuparam a aldeia de Krasnáia Poliana, a apenas 30 quilômetros do Kremlin. Considerando o vasto território e os recursos humanos da URSS, os líderes militares alemães compreenderam que a guerra ainda não havia acabado, mas tinham certeza de que a espinha dorsal do Exército Vermelho estava fragmentada. “Os militares russos não podem mais representar uma ameaça para a Europa”, escreveu Franz Halder, chefe do Estado-Maior do Alto Comando do Exército, em um diário de guerra em novembro.

Tanques PzKpfw III Ausf G nos entornos de Moscou

No entanto, a situação da Wehrmacht em seu caminho rumo à capital soviética não estava indo tão bem quanto a liderança militar alemã gostaria. A resistência do Exército Vermelho e os constantes contra-ataques exauriram e sobrecarregaram as tropas alemãs. A movimentação das unidades blindadas alemãs era dificultada pelos campos minados em todos os acessos à cidade. Além disso, os militares alemães começaram a ter problemas com suprimentos e seus cavalos estavam morrendo em massa, deixados sem forragem à medida que o inverno se aproximava. 

O Exército alemão esperava um empurrão final e decisivo para Moscou, mas não considerou o fato de que grandes reservas recém-treinadas do Exército Vermelho estavam se reunindo na cidade. Em 5 de dezembro, as tropas da Frente Ocidental lideradas por Gueórgui Jukov e da Frente Sudoeste, comandadas por Konstantin Timochenko, lançaram uma contraofensiva em grande escala.

“Quando estávamos avançando, nossa artilharia desferiu um fogo tão pesado que muitas vezes suprimiu as defesas alemãs antes mesmo de a infantaria se aproximar de suas posições. Por isso, quando entramos nas aldeias, os alemães já as haviam abandonado. Foi lá que vi pela primeira vez os lançadores múltiplos de foguetes Katiucha em ação – uma visão inesquecível. E, é claro, todas as aldeias tinham sido reduzidas a cinzas”,  relembrou mais tarde o soldado Gerts Rogovoi.

Lançadores de foguetes Katiucha em ação

As tropas alemãs começaram a recuar rapidamente da capital. Em alguns pontos, a retirada se transformou em um voo em pânico e as unidades do Exército Vermelho tomaram os sistemas de artilharia abandonados pelo inimigo. Em 19 de dezembro, Adolf Hitler substituiu Walther von Brauchitsch como comandante-chefe do Exército alemão e demitiu Fedor von Bock como comandante do Grupo de Exércitos Centro. O comandante do 2º Grupo Panzer, Heinz Guderian, que também perdera seu posto, escreveria anos depois em seu livro “Memórias de um Soldado”: “O ataque a Moscou falhou. Todos os sacrifícios e esforços de nossas valentes tropas foram em vão”. Foi somente no início de janeiro de 1942 que os alemães estabilizaram a linha de frente.

Ao infligir um golpe à Wehrmacht, o Exército Vermelho conseguiu empurrar os adversários para 100 a 250 quilômetros de Moscou. Assim, foi capaz de libertar territórios significativos e, em geral, eliminar a ameaça à capital. Mas os planos ambiciosos da liderança militar de continuar a ofensiva e derrotar completamente o Grupo de Exércitos Central resultaram em combates intensos, tentativas árduas de escapar do cerco e perdas para as tropas soviéticas. Apesar do triunfo na Batalha de Moscou e do colapso da blitzkrieg, o ponto de inflexão na guerra ainda estava por vir.

Fonte: https://br.rbth.com/historia/84757-blitzkrieg-alema-batalha-moscou-fotos


domingo, 13 de dezembro de 2020

A Idade do Século - Voz e Rosto de Gregório Bezerra

Gregório Bezerra, herói do proletariado brasileiro.
(Panelas, 13 de março de 1900 — São Paulo, 21 de outubro de 1983).



quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Gregório Bezerra Personificou os Explorados e Oprimidos do Brasil

Por Anita Leocadia Prestes*

2011

 

   É com profunda emoção que escrevo esta apresentação do livro de Memórias de Gregório Bezerra. Quando penso em Gregório, vejo diante de mim o povo brasileiro, os milhões de homens, mulheres e crianças do nosso país, maltratados e sofridos durante séculos de exploração e opressão.


Gregório preso e torturado após o golpe de 1964.

   Gregório é a legítima expressão desse povo, no que ele tem de mais autêntico e verdadeiro. É a genuína personificação dos explorados e oprimidos da nossa terra – jamais dos poderosos, dos exploradores. Estes sempre lhe dedicaram um indisfarçável ódio de classe, ódio dos opressores, conscientes do perigo, para os interesses dominantes, das “ideias subversivas” difundidas por homens como ele.

   Na grande trincheira da luta de classes, Gregório sempre esteve do lado dos trabalhadores, dos desvalidos e dos oprimidos. Justamente por isso suportou constantes perseguições policiais, atrozes torturas e um total de 23 anos de cárcere em diversos presídios do Brasil. Teve de suportar a feroz campanha que os meios de comunicação a serviço dos interesses dominantes sempre moveram contra ele e contra os comunistas.

   Conheci Gregório há muitos anos. Em 1946, eu tinha apenas nove anos de idade quando ele, eleito deputado federal por Pernambuco na legenda do Partido Comunista do Brasil (PCB), foi morar conosco, na casa de meu pai, Luiz Carlos Prestes. O partido havia conquistado a legalidade e elegera para a Assembleia Nacional Constituinte uma bancada comunista composta de um senador, Luiz Carlos Prestes, e catorze deputados, entre os quais Gregório Bezerra. Em nossa casa, além da família, moravam vários camaradas do PCB. 

   Gregório destacava-se, dentre todos, pela dedicação ao partido e à causa revolucionária que abraçara ainda jovem, mas sobretudo pelo humanismo que irradiava de sua pessoa. Ele sabia compreender os problemas de todos que o cercavam e relacionar-se bem e de maneira afetuosa tanto com as crianças quanto com os idosos, com pessoas importantes ou humildes, com homens ou mulheres. Gregório não incomodava; ao contrário, sempre ajudou em nossa casa e era capaz de manter permanentemente um convívio agradável com todos que o rodeavam. Lembro como minhas tias observavam que, de tantos companheiros que passaram por nossa casa, nenhum deixara tão boas lembranças e tantas saudades quanto ele.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Gregório Bezerra 1900-2020

Entrevista concedida no exílio, Moscou, 1976.*


"Em 35 eu tinha muito armamento, muito armamento mesmo e muita munição, em 64 eu tinha muitos homens dispostos a lutar, a perder suas vidas para defender o governo de Jango, o governo Arraes...infelizmente não tínhamos armas."

* Documentário produzido por: Luiz Alberto Sanz, Lars Safstrom, Leonardo Cespedes e Staffan Lindqvist.










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