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domingo, 19 de abril de 2020

Qual é a Atitude dos Partidos Burgueses e do Partido Operário Frente às Eleições para a Duma?*

   Lenin** 
   
   Os jornais estão cheios de informações sobre os preparativos eleitorais. Quase todos os dias aparecem «editais» do governo excluindo do censo novos grupos de cidadãos suspeitos, ou notícias sobre novas perseguições, a proibição de reuniões, a suspensão de jornais e a prisão de supostos participantes ou candidatos. As centúrias negras(1) levantaram a cabeça. A sua vozearia, os seus alaridos são mais insolentes do que nunca.
Lenin e Kamenev
   Os partidos que não agradam ao governo também se preparam para as eleições. Estes partidos estão certos, e com toda a razão, de que a massa dos eleitores saberá manifestar-se, expressar através das eleições a sua verdadeira convicção, apesar de todas as astúcias, de todas as fraudes e de todas as perseguições, em pequena e em grande escala, dirigidas contra os eleitores. Esta certeza baseia-se cm que as perseguições mais furiosas e os atentados mais escandalosos subtrairão, quando muito, umas centenas, uns milhares e até talvez dezenas de milhares de votos em toda a Rússia, mas nem por isso mudarão o estado de espírito das massas nem a sua atitude frente ao governo. Poder-se-á riscar das listas, por exemplo, 10.000 ou 20.000 eleitores de Petersburgo, contudo a massa dos 150.000 eleitores da capital não fará senão conter-se, retirar-se em ordem, acautelar-se, aquietar-se temporariamente, mas não desaparecerá nem mudará o seu estado de espírito geral, e se mudar, não será em favor do governo. Por isso, enquanto não se modificar radicalmente a lei eleitoral, enquanto não forem definitivamente calcados todos os restos de legalidade eleitoral (ainda podem ser calcados recorrendo-se à prisão sistemática de participantes: de Stolypine pode-se esperar o pior!) é inegável que o estado de espírito das massas decidirá os resultados das eleições, e, naturalmente, não a favor do governo nem das suas centúrias negras.

sábado, 18 de abril de 2020

As Lições da Insurreição de Moscou*

   Lenin**


   O livro Moscou em Dezembro de 1905 não podia ter saído com maior oportunidade. Uma tarefa vital do partido operário é assimilar a experiência da insurreição de Dezembro. É de lamentar que este livro seja uma barrica de mel com uma colher de alcatrão: o material é extremamente interessante, apesar de incompleto, mas as conclusões são incrivelmente superficiais, incrivelmente vulgares. Destas conclusões falaremos à parte(1) por agora voltaremos à questão política atual, às lições da insurreição de Moscou.


   As formas principais do movimento de Dezembro em Moscou foram a greve pacífica e as manifestações. A enorme maioria da massa operária participou ativamente apenas nestas duas formas de luta. Mas precisamente a ação de Dezembro em Moscou demonstrou com evidência que a greve geral, como forma independente e principal de luta, se tornou obsoleta e que o movimento ultrapassa, com uma força espontânea e irresistível, este quadro estreito e gera a forma suprema da luta, a insurreição.

  Todos os partidos revolucionários, todos os sindicatos de Moscou, ao declarar a greve, tinham consciência e até mesmo sentiam a inevitabilidade da sua transformação em insurreição. O Soviete dos Deputados Operários decidiu em 6 de dezembro «esforçar-se por transformar a greve em insurreição armada». Mas, de fato, nenhuma das organizações estava preparada para isso, mesmo o Conselho de coligação dos grupos de combate(2) falava (em 9 de dezembro!) de insurreição como de algo distante, e a luta de rua passava indubitavelmente por cima da sua cabeça e sem a sua participação. As organizações atrasaram-se em relação ao crescimento e à envergadura do movimento.

   A greve ia-se transformando em insurreição, antes de mais, sob a pressão das condições objetivas, criadas depois de outubro(3). Já não era possível surpreender o governo por meio de uma greve geral, ele já organizara a contra-revolução, preparada para ações militares. Tanto o curso geral da revolução russa depois de outubro como a sucessão dos acontecimentos em Moscovo nas jornadas de dezembro confirmaram de modo admirável uma das profundas teses de Marx: a revolução avança porque cria uma contra-revolução forte e unida, ou seja, obriga o inimigo a recorrer a meios de defesa cada vez mais extremos e elabora assim meios de ataque cada vez mais poderosos(4).

- 7 e 8 de dezembro: greve pacífica, manifestações pacíficas de massas 8 de dezembro à noite: cerco do Aquário(5). 9 de dezembro, durante o dia: os dragões atiram contra a multidão na Praça Strastnáia. À noite, esmagamento da casa de Fídler(6). A exaltação cresce. A multidão não organizada das ruas começa a erguer de modo completamente espontâneo e ainda insegura-mente as primeiras barricadas.

- 10 de dezembro: a artilharia abre fogo contra as barricadas e contra a multidão das ruas. A construção de barricadas torna-se uma ação decidida, não isolada, mas indubitavelmente de massas. Toda a população está nas ruas; toda a cidade se cobre de uma rede de barricadas nos principais centros. Durante vários dias desenvolve-se uma tenaz luta de guerrilhas entre os grupos de combate e as tropas, luta que esgota os soldados e obriga Dubássov a implorar reforços. Só em 15 de dezembro as forças governamentais conseguem uma preponderância decisiva, e a 17 o regimento Semiónovski(7) esmaga o bairro de Présnia, último baluarte da insurreição.

  Da greve e das manifestações às barricadas isoladas. Das barricadas isoladas à construção em massa de barricadas e à luta de ruas contra as tropas. Por cima da cabeça das organizações, a luta proletária de massas passou da greve à insurreição. É nisso que reside a grande aquisição histórica da revolução russa, alcançada em dezembro de 1905, aquisição alcançada, como todas as precedentes, à custa de sacrifícios imensos.*** Da greve política geral o movimento elevou-se a um grau superior. Forçou a reação a ir até ao fim na sua resistência, aproximando assim em proporções gigantescas o momento em que a revolução também irá até ao fim no emprego dos meios ofensivos. A reação não pode ir mais além do que arrasar com artilharia as barricadas, as casas e a multidão das ruas. A revolução pode ainda ir mais além do que os grupos de combate de Moscovo, pode ir muito, muito mais além, tanto em amplitude como em profundidade. E a revolução avançou muito desde dezembro. A base da crise revolucionária tornou-se incomensuravelmente mais ampla; agora é preciso afiar mais a lâmina.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Marxismo e Revisionismo*

Lenin **


No domínio da política, o revisionismo tentou rever o que realmente constitui a base do marxismo, ou seja, a teoria da luta de classes. A liberdade política, a democracia, o sufrágio universal, destroem a base da luta de classes – diziam-nos os revisionistas – e desmentem o velho princípio do Manifesto Comunista de que os operários não têm pátria. Uma vez que na democracia impera a “vontade da maioria”, não devemos ver no Estado, segundo eles, o órgão da dominação de classe, nem negar-nos a entrar em alianças com a burguesia progressista, social-reformista, contra os reacionários.

Lenin fala em comício do Partido Bolchevique.
 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Lenin, 150 Anos!

Lenin vive, viva Lenin!
1870 - 2020


Vladimir Ilyich Ulianov, pseudônimo Lenin:


   Revolucionário marxista, político comunista, principal dirigente e teórico do Partido Bolchevique, líder da Revolução de Outubro na Rússia em 1917, a primeira revolução socialista vitoriosa no mundo, fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéicas (URSS). 

Nascimento: 22 de abril de 1870, Ulianovsk, Rússia

Falecimento: 21 de janeiro de 1924, Gorki Leninskiye, Rússia

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