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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Para Vencer a Burocracia, o Revisionismo e o Dogmatismo.

Mao Tsé-Tung*

   É necessário manter o sistema de participação dos quadros no trabalho coletivo de produção. Os quadros do nosso Partido e Estado são trabalhadores comuns e não senhores que cavalgam às costas do povo. Ao participarem no trabalho coletivo de produção, os quadros mantêm os laços mais amplos, permanentes e estreitos com o povo trabalhador. Essa é uma medida maior e de fundamental importância num sistema socialista; ela contribui para vencer a burocracia e impedir o revisionismo e o dogmatismo.

* O Livro Vermelho.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Pós-modernismo: A Ideologia da Derrota (I)

   Ellen Meiksins Wood*

   O significado do jargão pós-modernista ficará mais claro nos artigos que seguem. Mas a essa altura, deve estar óbvio que o fio principal que perpassa todos esses princípios pós-modernos é a enfase na natureza fragmentada do mundo e do conhecimento humano. As implicações políticas de tudo isso são bem claras: o self humano é tão fluido e fragmentado (o "sujeito descentrado") e nossas identidades, tão variáveis, incertas e frágeis que não pode haver base para solidariedade e ação coletiva fundamentadas em uma "identidade" social comum (uma classe), em uma experiência comum, em interesses comuns.

   Mesmo em suas manifestações menos extremas o pós-modernismo insiste na impossibilidade de qualquer política libertadora baseada em algum tipo de conhecimento ou visão "totalizantes". Até mesmo uma política anticapitalista é por demais "totalizante" ou "universalista". Não se pode sequer dizer que o capitalismo, como sistema totalizante, exista no discurso pós-moderno, o que impossibilita a própria crítica do capitalismo. Na verdade, a "política", em qualquer um dos seus sentidos tradicionais da palavra, ligando-se ao poder dominante de classes ou Estados e à oposição a eles, é excluída, cedendo lugar a lutas fragmentadas de "política de identidades" ou mesmo ao "pessoal como político". Embora haja projetos mais universais que, de fato, pareçam atraentes para a esquerda pós-moderna, tal como a política ambiental, é difícil entender como eles, ou, na verdade, qualquer ação política, podem ser coerentes com os princípios mais fundamentais do pós-modernismo: um ceticismo epistemológico e um derrotismo político profundos.

*Ellen Meiksins Wood (1942-2016) historiadora e editora marxista.  
   O que é a agenda "pós-moderna"?
   Em Defesa da História; p.13; Jorge Zahar Editor; 1999.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O Desespero Aumenta

Ney Nunes

   Segundo informações do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, o número de brasileiros presos tentando entrar irregularmente no país, até setembro desse ano, chega a 18 mil. Comparado com 2018, quando 3.200 brasileiros foram detidos, esse número de 2019 representa um aumento de 1.100 %, o que não deixa margem de dúvida sobre o desespero que se abate sobre contingentes cada vez maiores da população brasileira.

Imigrantes detidos na fronteira entre México e EUA.

        Desde o período imediatamente anterior a posse do presidente Bolsonaro, e mesmo antes, durante quase todo o governo Temer, a mídia burguesa propagava uma expectativa de retomada do crescimento econômico, apoiando todas as medidas de arrocho contra o povo trabalhador e de cortes nos gastos públicos. Esse ano, com a divulgação de números sobre a atividade econômica menos piores do que em 2018, mas, ainda assim, pífios, o alarde favorável à política econômica neoliberal do atual ministro da economia Paulo Guedes cresceu bastante. A sazonalidade econômica com a produção para vendas de fim de ano e a injeção de recursos extras, como liberação do saque do PIS e FGTS, são fatores camuflados propositalmente por esses comentaristas de aluguel, quando é notório que os seus efeitos não são sustentáveis ao longo do tempo. 

     O movimento desesperado de milhares de brasileiros, que se aventuram na tentativa de entrar ilegalmente nos países ricos, muitas vezes arriscando a própria vida e dos seus familiares, indica que a realidade por aqui é bem diferente do que o oligopólio midiático no Brasil tenta nos fazer crer. Esse movimento de fuga desesperada tende a aumentar em consequência da política nefasta do governo fascista e entreguista de Bolsonaro, se defrontando com uma situação mundial em que os países ricos não necessitam mais reforçar seu exército reserva de mão de obra, considerando os imigrantes seres indesejáveis que devem ser rechaçados.

 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Teses Sobre a Questão Parlamentar*

Segundo Congresso da III Internacional Comunista - 1920


I — A época atual e o novo parlamentarismo

A atitude dos partidos socialistas em relação ao parlamentarismo consistia, inicialmente, na época da I Internacional, em utilizar os Parlamentos burgueses para a agitação. A participação no Parlamento tinha como objetivo desenvolver a consciência de classe do proletariado na sua luta contra as classes dominantes.
Sob a influência da evolução política, e não da teoria, esta atitude foi-se modificando. Em virtude do aumento contínuo das forças produtivas e do alargamento do domínio da exploração capitalista, o capitalismo e, com ele, os Estados parlamentares adquiriram uma maior estabilidade. Daí a adaptação da tática parlamentar dos partidos socialistas à ação legislativa "orgânica" nos Parlamentos burgueses e a importância cada vez maior da luta pela introdução de reformas no quadro do capitalismo, o predomínio do programa mínimo dos partidos socialistas, a transformação do programa máximo numa plataforma destinada às discussões sobre "o objetivo final" , longínquo. Foi sobre estas bases que se desenvolveu o arrivismo parlamentar, a corrupção, a traição aberta ou camuflada dos interesses mais elementares da classe operária.
Lenin na mesa do II Congresso da Internacional Comunista
A atitude da III Internacional em relação ao parlamentarismo não é determinada por uma nova doutrina, mas pela modificação do papel do próprio Parlamento. Na época precedente, o Parlamento enquanto instrumento do capitalismo em vias de desenvolvimento, contribuiu, num certo sentido, para o progresso histórico. Mas nas condições atuais, na época da decadência do imperialismo, o Parlamento tornou-se, ao mesmo tempo, um instrumento de mentira, de fraude, de violência e um moinho exasperante de palavras. Perante as devastações, as pilhagens, as violências, os atos de banditismo e as destruições levadas a cabo pelo imperialismo, as reformas parlamentares, desprovidas de espírito de continuidade e estabilidade, concebidas sem um plano de conjunto, perderam toda a eficácia prática para as massas trabalhadoras.

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