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sexta-feira, 30 de maio de 2025

Zuleide nos deixou

 Ney Nunes 

Zuleide Faria de Melo (1932-2025)


Zuleide Faria de Melo nos deixou ontem, no entanto, suas mais de cinco décadas de militância comunista legaram um exemplo que vai permanecer pela próximas gerações. Alagoana, Zuleide nasceu em 1932, veio ainda criança para o Rio de Janeiro com sua família. Logo após o golpe de 1964 ela ingressa nas fileiras do PCB, onde desempenhou tarefas importantes, entre elas, o "salvamento" dos arquivos do partido, remetidos para a Europa em 1977. Zuleide chegou ao Comitê Central no Congresso de 1987, sempre firme nos seus princípios e posicionamentos, ela lutou contra a liquidação do partido em 1992, participando ativamente do grupo dirigente que resistiu e venceu a camarilha oportunista e revisionista liderada por Roberto Freire.

Pouco convivi com essa extraordinária mulher, abnegada e corajosa, ainda assim, o suficiente para admirá-la por sua longa trajetória de militante e dirigente comunista.

Rio de Janeiro, 29/05/2025.    


Do "Fazer como Portugal" para... "não vamos tornar-nos outro Portugal"

Partido Comunista da Grécia (KKE) 

“A Grécia não deve ser o próximo Portugal”, exclamam várias fações da socialdemocracia e do oportunismo no nosso país, sendo a posição mais paradigmática a do presidente da Nova Esquerda [cisão do SYRIZA], Charitsis, comentando os resultados das eleições portuguesas, com a nova ascensão do partido de extrema-direita Chega, a derrota eleitoral e o declínio significativo dos Socialistas e o novo mínimo histórico para o Partido Comunista Português.

Reformismo abriu as portas para a extrema direita em Portugal.


Ele até encontra uma oportunidade de "ressuscitar" como um suposto "antídoto" o mito falido da "esquerda dominante" e dos "governos progressistas" no solo do capitalismo, afirmando significativamente que "a esquerda pode deter a extrema direita quando tem um programa radical, participa ativamente na promoção de políticas implementadas que mudam a vida das pessoas e se supera em momentos críticos. Caso contrário, corre o risco de ser marginalizada".

É claro que ele e os outros seguidores que reproduzem declarações enganosas semelhantes estão a "esquecer-se" de algo. Eles "esquecem" o que aconteceu antes e o que levou à situação atual...

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Iniciativa do KKE pelo fim do genocídio sionista na Palestina

26.05.2025

A barbárie sionista na Palestina prossegue.


Na quinta-feira, 22 de maio, diante dos dramáticos acontecimentos vivenciados pelo povo palestino devido à brutalidade do Estado israelense, Dimitris Koutsoumbas, Secretário-Geral do CC e Presidente do Grupo Parlamentar do KKE, enviou uma carta aos líderes dos grupos parlamentares da oposição (excluindo os fascistas do partido "Espartanos"). Apesar das diferentes posições dos partidos políticos, a carta foi enviada com base na decisão unânime do Parlamento grego, em 2015, de reconhecer o Estado Palestino.

Em sua carta, D. Koutsoumbas propôs a elaboração de uma declaração a ser dirigida ao governo grego, para que, como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, tome iniciativas relevantes relativas às operações militares em Gaza, aos canais humanitários, à condenação dos crimes de Israel e ao reconhecimento do Estado palestino.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Análise econômica progressista e capitalismo progressista

"Um momento revolucionário na história mundial é um momento para revoluções, não para reformas" (William Beveridge)

Michael Roberts*



Na semana passada, participei de uma conferência de um dia organizada pelo Progressive Economy Forum (PEF). O PEF é um think tank econômico de esquerda britânico que assessorou a liderança trabalhista de Corbyn-McDonnell quando estes estavam no comando do Partido Trabalhista Britânico. O objetivo do PEF é "reunir um Conselho de economistas e acadêmicos eminentes para desenvolver um novo programa macroeconômico para o Reino Unido". O conselho do PEF quer "promover políticas macroeconômicas que abordem os desafios modernos de colapso ambiental, insegurança econômica, desigualdades sociais e econômicas e mudanças tecnológicas, e incentivar a implementação dessas políticas, trabalhando com formuladores de políticas progressistas e aprimorando a compreensão pública da economia". A única proposta política específica que encontrei em sua declaração de missão foi que o PEF "se opõe à austeridade e à ideologia e narrativa atuais do neoliberalismo, faz campanha para pôr fim à austeridade e garantir que ela nunca mais seja usada como instrumento de política econômica " .

O ex-advogado Patrick Allen é o fundador, presidente e principal financiador do PEF. Ele considera que sua tarefa é "reunir os melhores economistas progressistas e acadêmicos com ideias semelhantes do país para se juntarem a políticos progressistas e mostrarem o fracasso do neoliberalismo, a futilidade da austeridade e apresentarem políticas críveis, inspiradas no keynesianismo, para alcançar uma economia estável, equitativa, verde, sustentável e livre da pobreza".

A menção específica à economia keynesiana identifica de onde vem o PEF. Trata-se de economia "progressista", não de economia socialista e, definitivamente, não de economia marxista. Isso ficou claro pelos muitos palestrantes eminentes na conferência do PEF intitulada "Política Econômica na Era Trump". Todos os palestrantes eram economistas keynesianos ou pós-keynesianos renomados. O único resquício de marxismo veio de um vídeo pré-gravado de abertura da conferência por Yanis Varoufakis, de sua casa na Grécia. Ex-ministro das Finanças grego do governo de esquerda do Syriza durante a crise da dívida de 2014-15, Varoufakis é um "marxista errático" confesso, como ele mesmo se autodenominou.

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