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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

As eleições municipais de 2020 e os desafios para a luta de classe dos trabalhadores

CENTRO DE ESTUDOS VICTOR MEYER (CVM)

 

As eleições municipais no Brasil se concluíram em 29 de novembro passado. O balanço geral a ser feito a respeito do sentido geral do processo ocorrido em 5.570 municípios brasileiros pode ser resumido na frase “a democracia burguesa se fortaleceu”. Cabe então formular algumas perguntas: quais são as principais características das eleições municipais de 2020 quando apreciadas do ponto de vista de classe? Por que afirmamos que a democracia burguesa se fortaleceu, dado o caráter municipal das eleições? Que desafios este processo e seus resultados colocam para atuação das forças interessadas na emancipação do trabalho do jugo do capital?

 


Resultados do processo eleitoral nos municípios em 2020

Para uma avaliação da força relativa conquistada pelos partidos é importante examinar os pleitos desde 2004, quando acontece um deslocamento político à esquerda no cenário municipal com a vitória do PT de Lula para a Presidência da República dois anos antes. De acordo com o quadro abaixo, elaborado a partir dos dados do TSE, observa-se o deslocamento à direita, desde a vitória de Jair Bolsonaro para o mesmo posto em 2018.

Eleições para prefeitos no 1º turno por partidos 2004 – 2020 (1º e 2º turnos)

 

Partidos20042008201220162020
MDB1053119410151035782
PP551549474495683
PSD495537656
PSDB870787686785520
DEM789495276266464
PL382384274294345
PDT306351304331314
PSB175308434403253
PTB421410298254212
Republicanos5479103211
PT411549630254183
Cidadania308129122117139
PSC26578287116
Podemos (Pode)5161229101
SD6093
PSL2515233090
Avante238251282
Patriota01349
PV5675999847
PCdoB1041518046
PROS5041
PMN3142422813
PRTB12111696
Rede45
PSOL0125
PMB31
DC1381081
PTC161319161
Novo1

         Fonte:  PSDB e MDB perdem o maior nº de prefeituras e PT encolhe pela 2ª eleição seguida; DEM e PP são os que mais ganham em 2020 (g1.globo. com)

As organizações partidárias de esquerda UP, PCO, PCB e PSTU não elegeram nenhum prefeito.

As projeções eleitorais da força relativa dos partidos precisam ser consideradas pelo seu desempenho alcançado nas maiores cidades do país.

Vejamos então os resultados para as prefeituras nas capitais.

Nas eleições do 1º turno o DEM venceu em Salvador, Curitiba e Florianópolis; o PSD em Belo Horizonte e Campo Grande; o PSDB em Natal e Palmas. No 2º turno aconteceram eleições em 18 capitais, cujos resultados são os seguintes: o MDB em Boa Vista, Cuiabá, Goiânia, Porto Alegre e Teresina; PSDB em Porto Velho e São Paulo; o PDT venceu em Aracaju e Fortaleza; o PP em João Pessoa e Rio Branco; o PSB em Maceió e Recife; o Avante em Manaus; DEM no Rio de Janeiro; o PSOL em Belém; Podemos em São Luís; e Republicanos em Vitória.

Nas 39 cidades onde ocorreu 2º turno, e ainda em 39 cidades, representando 65% dos 95 municípios com mais de 200.000 eleitores, os resultados deram vantagem para o PSDB em Caxias do Sul (RS), Governador Valadares (MG), Pelotas (RS), Praia Grande (SP), Ribeirão Preto (SP), Santa Maria (RS); para o MDB em Feira de Santana (BA), Franca (SP), Paulista (PE), Taubaté (SP) e Vitória da Conquista (BA); para o PSD em Campos de Goytacazes, Canoas (RS), Guarulhos (SP), Limeira (SP) e Ponta Grossa; para o Podemos em Blumenau (SC), Mogi das Cruzes (SP), São Vicente (SP) e Taboão da Serra (SP); para o DEM em Cariacica (ES), Piracicaba (SP), Santarém (PA) e São João de Meriti (RJ); para o PT em Contagem, Diadema, Juiz de Fora e Mauá; para o Republicanos em Campinas (SP) e Sorocaba (SP); para o PP em Anápolis (GO); para o PSB em Petrópolis; para o Patriota em Bauru (SP); para o Avante em São Gonçalo (RJ); para o PROS em Caucaia (CE); para o Novo em Joinville (SC); para o Solidariedade em Uberaba (MG); para o PDT em Serra (ES).

Considerando a votação nas três capitais mais importantes da região sudeste, onde se concentra o maior eleitorado brasileiro, a direita conquistou as capitais em São Paulo (PSDB), no Rio de Janeiro (DEM) e em Belo Horizonte (PSD). Ademais, estas três legendas partidárias caracterizadas como de “centro-direita”, obtiveram a maioria dos votos nos 5.570 municípios brasileiros. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

A Batalha de Moscou

Como a blitzkrieg alemã foi interrompida na Batalha de Moscou de 1941 (FOTOS)

Samary Gurary/Sputnik
A contraofensiva soviética nos arredores de Moscou, em dezembro de 1941, foi surpresa total para a Wehrmacht. Os alemães estavam certos de que o Exército Vermelho estava quase acabado.

O período inicial da Operação Barbarossa foi um verdadeiro pesadelo para o Exército Vermelho. Ao longo de vários meses, a Wehrmacht ocupou toda a região do Báltico, a Bielorrússia e grande parte da Ucrânia. Centenas de milhares de soldados soviéticos foram mortos ou capturados, enquanto os alemães se aproximavam das principais cidades do país, Leningrado e Moscou.

Tropas alemãs na frente oriental

No início de outubro de 1941, a apenas 200 km da capital, perto de Viazma, quatro exércitos soviéticos, cercados, perderam cerca de um milhão de pessoas, fossem mortas, feridas ou capturadas. Moscou estava praticamente sem defesa. Em 15 de outubro, a cidade entrou em pânico, seus moradores fugiram em massa para o oriente e o caos foi acompanhado de saques e roubos. “Várias pessoas na rua estavam forçando a porta de uma loja, um já estava roubando comida”, lembra a engenheira Susanna Karpatcheva. “Havia um fluxo interminável de pessoas com mochilas circulando pela rodovia, além de carros e caminhões carregados de pertences domésticos. Hoje, as pessoas estavam deixando Moscou, assim como ontem estavam deixando Viazma.” Foi apenas com a aplicação de medidas duras, incluindo toque de recolher e patrulhas militares, que as autoridades conseguiram normalizar a situação.

Moscovitas constroem linhas de defesa nos acessos à cidade

Até que unidades de reserva da Sibéria, dos Urais e do Extremo Oriente chegassem para defender a capital, o comando soviético tentou ganhar tempo e retardar o inimigo o máximo possível. Todos os regimentos e divisões disponíveis foram lançados nas linhas de defesa construídas às pressas nas proximidades de Moscou. As fileiras foram reforçadas por cadetes de escolas militares de Moscou (os chamados “cadetes do Kremlin”) e de Podolsk, entre os quais muitos ainda não tinham completado 18 anos. Após a formatura, eles deveriam ingressar nas Forças Armadas como comandantes, mas, diante da situação, seguiram para a frente como soldados rasos.

Em combates pesados ​​e ferozes, os destacamentos combinados de cadetes das escolas de infantaria e artilharia de Podolsk, tendo perdido 2.500 de um total de 3.500 pessoas, conseguiram conter o inimigo por 12 dias, embora sua ordem tivesse durado apenas cinco dias, no máximo. “O primeiro pelotão explode um bunker onde rompemos as linhas”, lembrou Adalbert Wasner, da 19ª Divisão Panzer. “Segue-se um combate corpo a corpo extremamente feroz, com ambos os lados sofrendo perdas. Os primeiros prisioneiros são feitos. Trata-se de cadetes da escola militar de Podolsk. Eles são chamados de ‘cadetes de Stálin’ e todos lutaram com extrema bravura.”

Em 7 de novembro, no 24º aniversário da Revolução Bolchevique, um desfile militar foi realizado na Praça Vermelha. Algumas das unidades que dela participaram marcharam direto para a frente, que se aproximava cada vez mais da capital. Em suas memórias “Reminiscências e Reflexões”, o marechal Gueórgui Jukov descreveu o momento: “Esse evento desempenhou um papel importante no fortalecimento do moral do Exército e do povo soviético e foi de grande importância internacional”. O desfile mostrou ao mundo que a União Soviética ainda não havia sido derrotada. O que importava particularmente para os moscovitas era que o próprio Stálin estava presente no desfile e ali fez um discurso. As pessoas viram que o comandante-chefe supremo ainda estava em Moscou, embora a maior parte do governo soviético já tivesse evacuado para Kuibichev (atual Samara) na época.

Desfile militar na Praça Vermelha em 7 de novembro de 1941

Em 2 de dezembro, unidades da 2ª Divisão Panzer da Wehrmacht ocuparam a aldeia de Krasnáia Poliana, a apenas 30 quilômetros do Kremlin. Considerando o vasto território e os recursos humanos da URSS, os líderes militares alemães compreenderam que a guerra ainda não havia acabado, mas tinham certeza de que a espinha dorsal do Exército Vermelho estava fragmentada. “Os militares russos não podem mais representar uma ameaça para a Europa”, escreveu Franz Halder, chefe do Estado-Maior do Alto Comando do Exército, em um diário de guerra em novembro.

Tanques PzKpfw III Ausf G nos entornos de Moscou

No entanto, a situação da Wehrmacht em seu caminho rumo à capital soviética não estava indo tão bem quanto a liderança militar alemã gostaria. A resistência do Exército Vermelho e os constantes contra-ataques exauriram e sobrecarregaram as tropas alemãs. A movimentação das unidades blindadas alemãs era dificultada pelos campos minados em todos os acessos à cidade. Além disso, os militares alemães começaram a ter problemas com suprimentos e seus cavalos estavam morrendo em massa, deixados sem forragem à medida que o inverno se aproximava. 

O Exército alemão esperava um empurrão final e decisivo para Moscou, mas não considerou o fato de que grandes reservas recém-treinadas do Exército Vermelho estavam se reunindo na cidade. Em 5 de dezembro, as tropas da Frente Ocidental lideradas por Gueórgui Jukov e da Frente Sudoeste, comandadas por Konstantin Timochenko, lançaram uma contraofensiva em grande escala.

“Quando estávamos avançando, nossa artilharia desferiu um fogo tão pesado que muitas vezes suprimiu as defesas alemãs antes mesmo de a infantaria se aproximar de suas posições. Por isso, quando entramos nas aldeias, os alemães já as haviam abandonado. Foi lá que vi pela primeira vez os lançadores múltiplos de foguetes Katiucha em ação – uma visão inesquecível. E, é claro, todas as aldeias tinham sido reduzidas a cinzas”,  relembrou mais tarde o soldado Gerts Rogovoi.

Lançadores de foguetes Katiucha em ação

As tropas alemãs começaram a recuar rapidamente da capital. Em alguns pontos, a retirada se transformou em um voo em pânico e as unidades do Exército Vermelho tomaram os sistemas de artilharia abandonados pelo inimigo. Em 19 de dezembro, Adolf Hitler substituiu Walther von Brauchitsch como comandante-chefe do Exército alemão e demitiu Fedor von Bock como comandante do Grupo de Exércitos Centro. O comandante do 2º Grupo Panzer, Heinz Guderian, que também perdera seu posto, escreveria anos depois em seu livro “Memórias de um Soldado”: “O ataque a Moscou falhou. Todos os sacrifícios e esforços de nossas valentes tropas foram em vão”. Foi somente no início de janeiro de 1942 que os alemães estabilizaram a linha de frente.

Ao infligir um golpe à Wehrmacht, o Exército Vermelho conseguiu empurrar os adversários para 100 a 250 quilômetros de Moscou. Assim, foi capaz de libertar territórios significativos e, em geral, eliminar a ameaça à capital. Mas os planos ambiciosos da liderança militar de continuar a ofensiva e derrotar completamente o Grupo de Exércitos Central resultaram em combates intensos, tentativas árduas de escapar do cerco e perdas para as tropas soviéticas. Apesar do triunfo na Batalha de Moscou e do colapso da blitzkrieg, o ponto de inflexão na guerra ainda estava por vir.

Fonte: https://br.rbth.com/historia/84757-blitzkrieg-alema-batalha-moscou-fotos


domingo, 13 de dezembro de 2020

A Idade do Século - Voz e Rosto de Gregório Bezerra

Gregório Bezerra, herói do proletariado brasileiro.
(Panelas, 13 de março de 1900 — São Paulo, 21 de outubro de 1983).



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