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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Eminência Parda

Ney Nunes

04/10/2017

    O Brasil é governado por uma eminência parda chamada Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula e atual ministro da Fazenda do presidente Michel Temer. Antes de assumir cargos públicos ele fez carreira no mercado bancário, ocupando cargos executivos e chegando à presidência do BankBoston. No governo ele é justamente o representante do setor financeiro, o setor mais forte, aquele que dá as cartas no capitalismo contemporâneo.

     A sua presença no governo é determinante. Sem ele, Michel Temer provavelmente já teria sido defenestrado. Os oligopólios econômicos e o imperialismo contam com Meirelles para verem aplicada a política econômica que retira os direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores brasileiros, privatize o que interessar ao mercado e reduza drasticamente os investimentos sociais. Todas essas medidas fazem parte do receituário neoliberal para aumentar os lucros das mega empresas diante da crise crônica do capitalismo.


Meirelles passando orientações ao presidente fantoche.

     

     Em meio à debacle política que se arrasta com o envolvimento do presidente Temer e dos seus ministros em diversos escândalos de corrupção, o fiel da balança é Meirelles. Mesmo tendo sido presidente do conselho consultivo da J&F de Joesley Batista, entre 2012 e 2016, Meirelles não sofreu qualquer abalo quando seu ex-sócio detonou o presidente com as gravações das conversas mantidas na residência presidencial. Enquanto Temer, cada dia mais patético e desgastado, é refém da sua base política fisiológica no Congresso, nada parece afetar o poder e a influência do seu homem forte na economia.

     Recordemos um episódio nebuloso ocorrido no governo Lula, o único que, de forma muito estranha, não foi objeto de qualquer investigação: a compra pelo Banco do Brasil de metade das ações do Votorantim, um banco praticamente falido e que após a compra deu enormes prejuízos ao BB. Esse negócio, altamente lucrativo para uma das famílias mais tradicionais da burguesia, foi chancelado por Lula e Meirelles, tendo como executor o ex-presidente do BB, Aldemir Bendine.

     Apesar de a economia brasileira viver um período de estagnação, com o desemprego e o subemprego alcançando mais de vinte milhões de trabalhadores, os serviços públicos essenciais em colapso, pequenas e médias empresas sucumbindo todos os dias, ainda assim, o oligopólio midiático não se cansa de propagar que sob a liderança do ministro da Fazenda a economia está em franca recuperação. Os números são torcidos e distorcidos na tentativa de convencer os brasileiros de que o receituário neoliberal vai retirar o país da crise e nos levar a uma era de prosperidade.

     Em repúblicas como a nossa, figuras como Henrique Meirelles são mais comuns do que parecem, afinal, a democracia burguesa serve justamente para isso, dar a impressão que a sociedade como um todo decide seus rumos políticos e econômicos, quando, na verdade, são os donos do capital que, nas sombras, decidem e governam de acordo com seus interesses.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Brasil Sem Rumo

Michel Temer confabulando com seu parceiro Sérgio Cabral
  A última pesquisa do Ibope apontou que 92% dos brasileiros não confiam em Temer e 77% rejeitam seu governo.
   Com tudo isso, esse é o presidente queridinho do mercado financeiro, dos abutres da bolsa de valores, dos parasitas que vivem dos juros da dívida interna, das quadrilhas políticas que dominam o Brasil, mas é rejeitado pela imensa maioria dos brasileiros, que não suporta mais os seus desmandos a serviço dos exploradores e corruptos.

Fora Temer e sua quadrilha de bandidos a serviço da burguesia!

Confira a última pesquisa sobre a rejeição ao presidente:

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Greve na Light, Rio de Janeiro,1988.



Esse vídeo contem uma entrevista, realizada em novembro de 1988, com o comando de greve dos trabalhadores da Light-RJ, conduzida pelo jornalista José Carlos Cataldi no programa "Rio Urgente" da TV Rio, na época canal 13. Participaram pelo comando de greve: Luiz Carlos Sixel Oliveira; Sonia Latgé; José Silvério; Luis Carlos Machado; Emídio Magno e Ney Nunes.

Além da entrevista, a parte final do vídeo inclui reportagens sobre as manifestações dos eletricitários durante essa greve.

domingo, 17 de setembro de 2017

O Velho Macacão e as Eternas Ilusões

Ney Nunes

         Um filho da classe trabalhadora que enveredou pela militância sindical e política, alcançou grande prestígio popular e chega até a presidência da república. Seu governo, em que pese a grande expectativa gerada nos meios de esquerda, se caracteriza pelo gerenciamento dos negócios do Estado burguês e por uma política de conciliação de classes facilitada por um período de crescimento da economia capitalista mundial. Devido ao sucesso dessa política, ele termina o primeiro mandato envolto em grande popularidade e consegue a reeleição. No segundo governo repetiu a fórmula conciliatória e, mais uma vez, ela foi pavimentada pela valorização das denominadas “commodities”.               

     Envolto na aura de grande estadista, promovido pelos meios de comunicação, enaltecido pelo grande empresariado, pelas multinacionais, por governantes dos países ricos e pelas instituições do capitalismo internacional, ele concluiu o segundo mandato em condições de eleger o seu sucessor, o que acabaria por conseguir, fechando um ciclo de grandes vitórias pessoais e do seu partido.


Lula discursa durante greve quando era sindicalista.


      A sua sucessora na presidência tentou trilhar o mesmo caminho, mas o pano de fundo que permitiu o sucesso anterior mostrou-se esgotado. O ciclo de crescimento econômico lastreado num período de estupenda valorização dos produtos da pauta de exportações inverteu os sinais. A crise capitalista batia à porta. A partir daí, o castelo de cartas da conciliação de classes ruiu e a ampla coalizão que sustentava o apoio político no Congresso virou pó. Começaram a surgir graves denúncias de corrupção, as facções burguesas, antes aliadas, romperam com o governo e articularam com a oposição de direita um golpe parlamentar para remover a presidente. O seu próprio vice, uma velha raposa da politicalha burguesa, se colocaria a cabeça dessa conspiração.

Então o destino daquele filho da classe trabalhadora não seria mais o mesmo. Os tempos de tranquilidade e bonança, de prestígio político, das mordomias e constantes viagens internacionais ficariam no passado. A crise econômica, parteira da crise política, não deu trégua e, como consequência, trouxe à público uma enxurrada de denúncias que atingiriam em cheio o seu governo, o da sua sucessora e até mesmo daqueles políticos que tramaram o golpe através do impechement. O outrora enaltecido estadista agora se vê num emaranhado de investigações e processos de corrupção, denunciado por empresários, altos burocratas e políticos que pouco antes eram parte da sua base de apoio.     
Lula com os parceiros Sarney e Renan

      Como sabemos, esse filho da classe trabalhadora governou com e para o grande empresariado. Há muito tempo ele trocou o macacão pelo colarinho branco, tem contas bancárias e padrão de vida de um político burguês. Ainda assim, há quem ache legítimo que empresas detentoras de contratos milionários com seu governo, paguem verdadeiras fortunas por suas palestras. Outros, mais delirantes, defendem que as negociatas denunciadas não sejam julgadas pela justiça burguesa, reivindicando que deveriam ser julgadas por um “tribunal da classe trabalhadora”.

      Só mesmo no imaginário político repleto de ilusões de certa intelectualidade pequeno-burguesa, Lula ainda veste seu velho macacão de metalúrgico.

    

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