Um excelente exemplo disso é o número sem precedentes de influenciadores que, sob o disfarce de “marxistas” ou “comunistas”, criam conteúdo para as redes sociais, produzindo vídeos curtos e visualmente impactantes, onde a forma prevalece sobre o conteúdo. Esses vídeos são direcionados especificamente a um público jovem, pouco acostumado ao estudo rigoroso e, portanto, suscetível a consumir esse tipo de conteúdo. No entanto, é preciso perguntar: quem financia a produção desses materiais? Quais são seus interesses? O conteúdo teórico é supervisionado por alguma organização marxista-leninista? Ou simplesmente reflete as interpretações individuais do intelectual que aparece diante das câmeras?
Uma breve análise desses vídeos, infográficos e publicações em geral fornece uma resposta clara: longe de oferecerem uma teoria sólida, contêm sérios desvios teóricos, típicos do oportunismo. Entre eles, destacam-se a promoção do chamado "socialismo de mercado", a caracterização da China como um país "socialista", o uso de categorias como "império", "globalização" e "neoliberalismo", o apoio político ao movimento do chamado "socialismo do século XXI", uma mistura de chauvinismo e parafernália socialista e uma vulgarização de elementos filosóficos marxistas. Além disso, para se apresentarem como pensadores "inovadores" que desenvolvem o marxismo, inventam uma série de conceitos e categorias "totalmente novos", mas estes são vazios de conteúdo. Há tudo, menos marxismo-leninismo sério.
É importante reconhecer o potencial das redes sociais quando usadas adequadamente, especialmente por organizações comprometidas com a luta pelo socialismo e pelo comunismo, como na divulgação de campanhas específicas e no combate a posições oportunistas. No entanto, um erro grave — que pode ser encontrado até mesmo entre alguns camaradas — é pensar que as redes sociais são o espaço onde devemos dedicar nosso trabalho político ou considerá-las um substituto para a formação ideológica diária e coletiva.
Em suas Instruções de Estudo, Hermann Duncker explica a importância do estudo em círculos, em sessões dedicadas ao estudo coletivo, sempre com base em um plano. Atualmente, tanto o nosso Partido quanto a nossa Juventude Comunista possuem planos e programas de estudo, seminários, escolas de quadros, etc., que são necessários para a formação de seus membros. Aqui, é importante enfatizar não apenas o estudo coletivo, mas também a existência de um plano, desenvolvido pelos órgãos do Partido, para garantir que o que é estudado seja proveitoso para o aprendizado.
Quando um jovem que se aproxima de ideias comunistas não tem nada além do que o influenciador da vez lhe diz, baseado em sabe-se lá o quê, sob a égide de sabe-se lá quem, que certeza pode haver de que o que ele absorveu não é uma distorção do comunismo? Com quem ele pode confrontar essas ideias quando elas são vomitadas através de uma tela por um intelectual que se recusa a debater?
Há quem tente encontrar o lado "positivo" desses materiais de entretenimento, apelando para a suposta utilidade ou boa vontade de seus criadores, insinuando que eles servem como uma "primeira abordagem ao marxismo" para os jovens e, dessa forma, somos nós que os integramos às nossas fileiras.
Duas coisas devem ser ditas sobre esse argumento. Primeiro, embora o fenômeno dos influenciadores “comunistas” seja recente demais para tirar conclusões definitivas, a experiência acumulada até o momento sugere que jovens influenciados por “marxistas” online às vezes acabam tentando introduzir essas concepções equivocadas na organização, buscando reduzir o trabalho, especialmente da Juventude Comunista, ao âmbito das redes sociais e rejeitando as formas organizacionais leninistas. Isso não é surpreendente, visto que um tema comum entre essas personalidades online é a negação do Partido Comunista e de sua disciplina — uma situação perigosa, pois implica objetivamente a possibilidade de criação de grupos e correntes de opinião.
Além disso, esse argumento implica que a Juventude Comunista deve esperar passivamente que esses influenciadores nos entreguem periodicamente um suprimento de novos recrutas de bandeja, tentando sutilmente esconder nossa própria incapacidade de realizar trabalho político na vida real.
Embora as redes sociais possam ser uma ferramenta para disseminar ideias, elas nunca serão uma medida concreta da influência do Partido Comunista. Não podemos presumir que conteúdo viral se traduzirá automaticamente em organização, porque a construção de uma força política real depende do trabalho diário das massas, da organização nos locais de trabalho e nas escolas e da formação coletiva de ativistas.
Em vez de nos concentrarmos nas redes sociais, pensando que a mera agitação online basta para aproximar as massas, ou seja, querendo nos tornar “influenciadores”, o que precisamos fazer é agitar nas fábricas, nas escolas, nos bairros, criar círculos de estudo com jovens trabalhadores, organizar nossos camaradas nos locais de trabalho, etc., isto é, realizar o verdadeiro trabalho de um jovem militante comunista.
Não sabemos se o fenômeno dos influenciadores "comunistas" é uma moda passageira ou se, com o aumento das tensões interimperialistas, a burguesia dependerá cada vez mais deles para confundir a juventude proletária. O que é certo é que devemos nos proteger ideologicamente deles e de nossos camaradas, tornar as sessões de estudo mais frequentes, discutir coletivamente os clássicos do marxismo-leninismo e empreender tarefas de organização entre as jovens massas proletárias para que possamos ser o primeiro ponto de contato da juventude com as ideias comunistas, e não personalidades da internet cuja agenda, a julgar por suas análises e posicionamentos, é determinada por interesses oportunistas.
Fonte: https://elmachete.mx/index.php/2026/03/18/marxismo-sin-estudio-revolucion-sin-organizacion-la-trampa-digital/
Edição: Página 1917

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