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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Sobre as concessões e a luta anti-imperialista



Discurso de Lenin no Encontro do Partido Bolchevique de Moscou.

Lenin

6 de dezembro de 1920

    Camaradas, eu notei com grande prazer, apesar de, eu devo confessar, com surpresa, que a questão das concessões está incitando enorme interesse. Gritos estão sendo ouvidos de todos os lados, majoritariamente das bases. "Como pode ser?”, eles perguntam. "Nós expulsamos nossos próprios exploradores e ainda assim nós estamos convidando outros de fora.”

Rapidamente será entendido o porquê desses gritos me darem prazer. O fato de que um sinal de alarme se ergueu das bases sobre a possibilidade dos velhos capitalistas retornarem e que esse sinal se ergueu em conexão a um ato de décima categoria em significância, tal como o decreto sobre as concessões, demonstra que existe uma consciência do perigo do capitalismo e do grande perigo da luta contra ele. Isso é excelente, é caro, e é ainda mais excelente porque, como eu já disse, o alarme está sendo vocalizado pelas bases.

Do ponto de vista político, a coisa fundamental na questão das concessões – e aqui existem tanto considerações políticas quanto econômicas – é uma regra que nós não apenas assimilamos na teoria, mas também aplicamos na prática, uma regra que irá permanecer fundamental conosco por um longo período até que o socialismo finalmente triunfe sobre todo o mundo: nós devemos tomar vantagem dos antagonismos e contradições que existem entre os dois imperialismos, os dois grupos de estados capitalistas, e jogar eles um contra o outro. Até que nós tenhamos conquistado o mundo todo e enquanto nós formos economicamente e militarmente mais fracos que o mundo capitalista, nós devemos respeitar regra de que nós devemos ser capazes de tomar vantagens dos antagonismos e contradições existentes entre os imperialistas. Se nós não tivéssemos aderido a essa regra, cada um de nós teria sido pendurado pelo pescoço a muito tempo atrás, para felicidade dos capitalistas. Nós ganhamos nossa principal experiência a esse respeito quando nós concluímos o Tratado de Brest-Litovsk. Não deve ser inferido que todos os tratados devam ser como aquele de Brest-Litovsk ou o Tratado de Versalhes. Isso não é verdade. Pode existir um terceiro tipo de tratado, um que é vantajoso para seus participantes.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Operação Gladio: Como a CIA e a OTAN realizaram ataques terroristas na Itália

Massimo Innamorati - 21/01/2025

Em 1990, o primeiro-ministro italiano, Giulio Andreotti, foi forçado a revelar a existência de uma vasta rede paramilitar clandestina que operava em Itália há décadas sob o comando da OTAN. Esta rede, denominada Gladio, foi responsável por vários ataques terroristas que causaram centenas de vítimas civis, bem como por duas tentativas de golpe de Estado (1964 e 1970).

Manifestação relembra o atentado de 1969 na Piazza Fontana, em Milão.


Estas revelações, que implicaram muitos países europeus, incluindo a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, levaram a uma série de investigações nacionais e durante meses causaram uma tempestade política internacional que competiu com a Guerra do Golfo pela atenção da imprensa. Contudo, hoje essas revelações parecem ter sido apagadas da memória histórica.

Sem dúvida, as lições políticas a retirar destes acontecimentos são a razão da sua eliminação. Os acontecimentos da Operação Gladio demonstraram como a burguesia imperialista responde quando sente que o seu domínio está ameaçado, mesmo que a oposição jogue de acordo com as regras das próprias instituições da burguesia.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Reforçar a solidariedade com os povos da Palestina, do Líbano e da Síria.

Gaza: genocídio e destruição.


No dia 19/01/25 realizou-se em Istambul uma reunião da Ação Comunista Europeia sobre: ​​“Eventos no Médio Oriente. Reforçamos a nossa solidariedade com o povo da Palestina, do Líbano e da Síria” acolhido pelo Partido Comunista da Turquia.

Intervenção de Giorgos Marinos, membro do Bureau Político do CC do KKE:

Estamos muito gratos ao Partido Comunista da Turquia por acolher esta reunião da Ação Comunista Europeia, para examinar coletivamente os acontecimentos no Médio Oriente e a solidariedade com o povo da Palestina, do Líbano e da Síria.

A discussão pode contribuir para uma compreensão unificada dos eventos críticos que os povos estão vivenciando sob as condições das guerras imperialistas na Ucrânia e no Oriente Médio e as dezenas de focos de guerra desencadeados pela competição imperialista, nos quais o conflito entre os EUA e a China pela supremacia no sistema capitalista, bem como entre a aliança euro-atlântica (EUA – OTAN–UE–Israel) e a aliança eurasiana em formação, liderada pela China e Rússia com a participação do Irã, tem uma influência decisiva. 

Primeiro, condenamos a ocupação dos territórios palestinos pelo estado assassino de Israel e o genocídio do povo palestino com o apoio dos EUA, da OTAN e da UE. Rejeitamos os pretextos do "direito de autodefesa" do ocupante e as calúnias que caracterizam a luta palestina como terrorismo, tendo sublinhado nossas diferenças ideológicas intransponíveis com as organizações político-islâmicas burguesas. Apoiamos o direito do povo palestino de reivindicar, por meio de todas as formas de luta, sua própria pátria, um estado palestino independente nas fronteiras que existiam antes de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, ao lado de Israel.

O frágil cessar-fogo na Faixa de Gaza não apaga os crimes do Estado israelense. A resistência do povo palestino e a solidariedade dos povos ao redor do mundo, que caracterizaram a luta contra a agressão do ocupante ao longo deste período, continuam pela liberdade da Palestina. 

Em segundo lugar, o estado sírio foi derrubado pelos jihadistas com o apoio dos EUA, Turquia e Israel. A Síria, que ocupa uma posição geográfica estratégica e possui reservas significativas de energia, foi alvo dos EUA e seus aliados, especialmente quando o regime sírio se opôs à rota energética Catar–Arábia Saudita–Jordânia–Síria–Europa e optou pelo gasoduto de energia começado pelo Irã. A chamada Primavera Árabe explorou os impasses do capitalismo e foi usada como um veículo para promover o plano imperialista para um "Novo Oriente Médio". Os EUA, Turquia, Grã-Bretanha, Catar e Arábia Saudita financiaram, treinaram e armaram forças jihadistas para derrubar Assad já em 2011.

O regime Baath foi então salvo com o apoio da Rússia, Irã e Hezbollah para seus próprios interesses, mas hoje essas potências pararam de apoiar o regime — o Irã devido aos problemas no conflito com Israel, o Hezbollah devido à guerra no Líbano e a Rússia devido às demandas da guerra na Ucrânia e acontecimentos relacionados.

Os jihadistas baseados em Idlib foram apoiados pela Turquia de muitas maneiras; eles estavam preparados e agiram no momento certo. Seu rápido avanço destacou a desintegração do aparato estatal sírio, do exército sírio e da política do regime baathista, que eram contrários aos interesses do povo sírio.

Condenamos veementemente a intervenção imperialista e enfatizamos que os acontecimentos na Síria agravam a situação do povo e as condições da luta de classes e alimentam a competição imperialista e uma nova onda de refugiados. Estamos enfrentando um desmembramento do país e uma mudança de fronteiras.

Israel continua a ocupar as Colinas de Golã e está se expandindo para o território sírio. Ele apoia a autonomia das regiões drusas no sul da Síria e dos curdos na Síria, e busca melhorar sua posição na região. Os EUA estão apoiando as forças curdas, fortalecendo sua presença militar no nordeste da Síria e controlando importantes recursos energéticos. A Rússia está negociando suas bases militares em Tartus e Latakia, está interessada na zona costeira da Síria e sua presença no Mediterrâneo, e está considerando ajustar sua estratégia. O Estado turco mantém tropas na Síria e ameaça escalar o conflito com os curdos. Ele busca melhorar sua posição no Oriente Médio e está fazendo reivindicações no Mediterrâneo Oriental e no Egeu, com consequências negativas para as relações entre a Grécia e a Turquia, que são moldadas sob a responsabilidade das classes burguesas e da intervenção dos EUA-OTAN para fortalecer a ala sudeste da OTAN e a exploração conjunta do Egeu. Ao mesmo tempo, uma solução dicotômica está sendo promovida em Chipre. O KKE destaca esses pontos negativos para os povos e condena, entre outras coisas, o plano de integrar Chipre à OTAN.

Caros camaradas,

A redivisão da Síria para o interesse das classes burguesas dá um ímpeto muito perigoso a situação, adicionando novos elementos ao círculo vicioso de intervenções e guerras imperialistas. Os EUA e Israel voltaram suas atenções para o Irã, enquanto seu ataque ao Iêmen está se intensificando.

Avaliamos os acontecimentos do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores e do povo. Levamos em conta os sérios problemas de estratégia enfrentados pelo movimento comunista na região e sua fraqueza diante das necessidades da luta de classes. Expressamos nossa solidariedade com os povos e os comunistas e consideramos necessário intensificar o debate sobre questões cruciais:

· Sobre a luta independente da classe trabalhadora e dos povos contra as classes burguesas e suas alianças imperialistas;

· Sobre a criação de um elo entre a luta contra qualquer tipo de intervenção, invasão e mudança de fronteiras e o afastamento da ocupação estrangeira, na direção da concentração das forças dos trabalhadores e do povo, pela derrubada da exploração capitalista e a luta pelo socialismo, pois esta é a única solução que eliminará as causas da exploração, da pobreza e das guerras.

Precisamos intensificar a luta contra as forças burguesas, liberais e social-democratas, bem como contra o oportunismo nas questões acima mencionadas e os nossos partidos devem assumir responsabilidades adicionais.”

Edição: Página 1917

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

A conjuntura internacional no começo de 2025

 Boletim Que Fazer – Janeiro de 2025


Trabalhadores da Amazon nos EUA em greve, dezembro 2024.


Economia mundial pós-pandemia

Após uma aguda recessão em 2020, fruto da pandemia de Covid-19, a economia global viveu anos de recuperação econômica. Muitos países recuperaram as perdas de produção daquela recessão; a taxa de desemprego voltou ao nível anterior à pandemia.

No entanto, novas contradições capitalistas foram postas em movimento. Houve, por exemplo, uma espiral inflacionária a nível global, seguida de um aumento das taxas de juros. Esse quadro piorou ainda mais o alto endividamento, sobretudo nos países dominados, e tem pressionado para baixo as taxas e perspectivas de crescimento. O mercado de trabalho ficou ainda mais precarizado, sem recuperação do poder de compra dos salários, atingidos pela carestia.

Em 2024, a economia global cresceu cerca de 3%, inclusive com várias potências imperialistas em nova recessão ou estagnadas, como é o caso da Alemanha, maior potência do bloco europeu e já em seu segundo ano seguido de crescimento zero.

Os ganhos da recuperação capitalista pós-pandemia, obviamente, se concentraram nos burgueses, que ampliaram ainda mais suas fortunas. Para as massas trabalhadoras de todos os países, esse período significou aumento da exploração e da carestia de vida.

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