Por José Antonio Hernández*, 03/03/2026.
"O que chama a atenção não é apenas o que o texto diz, mas o que omite: não há qualquer menção ao imperialismo, nem uma condenação explícita da potência imperialista que, durante meses, interveio militarmente no país, sequestrou o seu presidente e reconfigurou o seu aparelho estatal. O mesmo imperialismo que apoiou o genocídio em Gaza."
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| O chefe imperialista e sua nova serviçal. |
Marxismo e agressão imperialista contra o Irã
Em 28 de fevereiro de 2026, a liderança submissa do governo publicou uma declaração sobre o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, sem jamais usar a palavra imperialismo ou apontar diretamente para a potência imperialista agressora que transformou a Venezuela em uma colônia de fato. A declaração condena os ataques e "lamenta profundamente" a abordagem militar adotada em meio às negociações, ou, para ser mais preciso, à chantagem; lamenta as baixas civis, expressa consternação com as mortes de meninas em uma escola primária iraniana e apela para a "solução pacífica de disputas" e o respeito à Carta das Nações Unidas. Chamam uma ameaça imperialista de "controvérsia". A ameaça do imperialismo contra Cuba é uma controvérsia? A agressão dos EUA contra a Venezuela em 3 de janeiro foi uma controvérsia ou uma intervenção imperialista?
Essa linguagem não é ingênua. Quando uma potência imperialista utiliza bombardeios, sanções e força militar, não estamos diante de uma disputa entre iguais, mas sim da imposição violenta de interesses imperialistas. Chamar isso de qualquer outra coisa é obscurecer a relação de dominação.
O que chama a atenção não é apenas o que o texto diz, mas o que omite: não há qualquer menção ao imperialismo, nem uma condenação explícita da potência imperialista que, durante meses, interveio militarmente no país, sequestrou o seu presidente e reconfigurou o seu aparelho estatal. O mesmo imperialismo que apoiou o genocídio em Gaza.
