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segunda-feira, 10 de junho de 2024

KKE fortalecido nas eleições europeias.

Editorial do Página 1917

O Partido Comunista da Grécia (KKE) obteve expressiva votação nas eleições para o parlamento europeu, conquistando 368 mil votos, 9,25%.

KKE
Comício da campanha eleitoral do KKE em Atenas.

A linha política correta e a inserção orgânica nas fileiras do proletariado levam o KKE a avançar com passos firmes na luta de classes e no terreno eleitoral. Sem cair nos desvios oportunistas e eleitoreiros o partido grego segue avançando, obteve 5,35 % nas eleições europeias  de 2019 e agora chega a 9,25% dos votos, garantindo o mandato de dois deputados.

Enquanto muitos dos partidos ditos da esquerda que giraram a direita e capitularam diante do capitalismo amargam retrocessos eleitorais, o KKE não cedeu as pressões do identitarismo burguês, tem como centro a luta de classes, a defesa dos interesses do proletariado em aliança com setores populares e mantém a luta contra as agressões neocoloniais e guerras interimperialistas que hoje ameaçam a própria sobrevivência da humanidade.

Os resultados eleitorais do KKE, mesmo sabendo como são fraudulentas as eleições burguesas que se realizam sob o domínio econômico dos monopólios empresariais, provam que a inserção orgânica na luta das massas trabalhadoras possibilita arrancar vitórias até mesmo no minado terreno eleitoral burguês. Além disso, confirmam a necessidade de construção de partidos comunistas que façam jus ao nome, sem concessões oportunistas, sem alianças com os inimigos de classe, que sejam internacionalistas na prática, vocacionados para a luta pelo poder proletário e instauração do socialismo.

Avante camaradas do KKE!

Saudações pela vitória!

Edição: Página 1917.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Renovação no PCB?

Leôncio Basbaum*

10 de Setembro de 1957

A imprensa comunista do país acaba de publicar um informe do Sr. L. C. Prestes à última reunião do CC do PCB, verificada em meados de agosto p.p. Trata-se, como diz o documento, de “um primeiro e modesto passo no sentido de vencer as dificuldades que hoje enfrentamos”.

Leôncio Basbaum

Há sem dúvida muita coisa interessante nesse documento, e a mais importante delas é o reconhecimento da péssima e lamentável situação a que chegou o PCB: “uma pequena seita desligada das massas”, num momento em que mais do que nunca sua presença se fazia necessária. Desapareceu quase totalmente o sentido baluartista dos documentos anteriores, nos quais se falsificava simplesmente a real situação do PCB perante a base do Partido e perante as massas. Esse é, sem dúvida, o lado positivo do documento. A autocrítica, o reconhecimento de erros antigos e profundos de catastróficas consequências, ainda que insuficiente, é também um lado positivo.

Não vamos examinar aqui as causas que levaram o CC a cometer toda essa longa série de erros. Isto poderá ser objeto de um estudo futuro. No momento nos interessa examinar o que significa o documento, o que lhe falta, o que falta ao CC para que se coloque à altura das necessidades do Partido e dos interesses do povo brasileiro.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Sobre o resultado das eleições no México

Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista do México

04/06/2024

O processo eleitoral no México foi concluído com a votação no domingo, 2 de junho, para eleger o Presidente da República, Câmaras de Deputados e Senadores, Governos da Cidade do México e outras entidades, diversas legislaturas locais e governos municipais de vários estados.

Manifestação do PCM

O processo eleitoral foi marcado pela intervenção governamental em favor do seu partido MORENA, pela utilização de programas sociais, ou seja, pelo lucro da pobreza extrema, pela demagogia dos dois grandes blocos burgueses e das suas candidatas, Claudia Sheinbaum e Xóchitl Gálvez, as campanhas sujas, pelo desperdício obsceno de dinheiro, tanto das prerrogativas do Instituto Nacional Eleitoral (INE), como de fontes estranhas (ou de grupos empresariais ou do crime organizado), pela violência.

Ficou visível o rol de traição governamental do Partido do Movimento Cidadão ; também é um elemento notável que, desde o ponto de vista programático, Sheinbaum e Gálvez estivessem enquadrados na mesma plataforma, com diferenças menores e não essenciais. Fundamentalmente, ambas ratificaram o compromisso de levar a frente a gestão do capitalismo.

Os resultados são claros: foi eleita Claudia Sheinbaum, que terá maioria qualificada para levar a cabo o conjunto de medidas legislativas que considera necessárias uma vez que o PRI e o PAN não terão uma correlação de forças que as dificulte. Será implementado o chamado Plano C, que entre outras medidas visa colocar a Guarda Nacional sob controlo militar. Desde o início da campanha, os empresários ditaram as suas prioridades. Hoje é verificável a satisfação da classe dominante, do poder dos monopólios, com este resultado, com as felicitações imediatas dos banqueiros e das câmaras patronais.

domingo, 2 de junho de 2024

Países árabes e muçulmanos hipócritas ajudam Israel a matar mais palestinos enquanto o condenam

Mustafa Fetouri*

02/06/2024

A maioria dos países do mundo, grandes e pequenos, expressou sua condenação e indignação com o genocídio israelense na Faixa de Gaza, que ocorre há mais de 194 dias. Em linguagem diplomática ou apenas com palavras diretas, como na África do Sul, cada Estado disse a Israel o que pensa de sua invasão militar do enclave palestino. Por outro lado, alguns países também foram claros ao expressar seu apoio ao Estado de Ocupação do apartheid, como os EUA, por exemplo, cujo presidente, Joe Biden, em muitas ocasiões descreveu seu apoio a Israel como um apoio “firme”. Isso tem sido repetido em muitas ocasiões e é um fato desde que Israel foi criado há 75 anos.

Palestinos fogem dos bombardeios em Rafah. (AP - Abdel Kareem Hana)

Apesar de alguma hipocrisia evidente nessas posições declaradas, elas foram mantidas de modo geral, embora com mudanças na linguagem diplomática, pois enfrentam a gravidade e o genocídio multifacetado e as crescentes manifestações de fome em Gaza. Em outras palavras: os países que apoiam Israel, em grande parte, não reverteram suas posições, apesar de atenuarem seu discurso quando as expressaram publicamente.

Surpreendentemente, ou talvez não, a maior parte da hipocrisia política e da inconsistência entre palavras e ações vem, na verdade, de onde, infelizmente, a Palestina esperava algum tipo de solidariedade: o mundo árabe e muçulmano.

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